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Fernando S. Trevisan
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  Duna
Em Leituras
@ 15.2.08 18:03

A partir de:
www.estantevirtual.com.br

Por: Frank Herbert
Tradução de: Jorge Luiz Calife
Editora: Nova Fronteira, 1984, 3ª edição
615 páginas (672 considerando apêndices)

Atualização: Ivo Heinz avisa que a série do Scifi Channel não só passou no Brasil, como está disponível em DVD para compra.

Um clássico da literatura de ficção-científica (ou da fantasia científica), livro excelente e premiado, vergonhosamente ausente das livrarias brasileiras - o link logo abaixo do título desta resenha é para a Estante Virtual, web-site que reúne sebos e livrarias de usados de todo o país.

A história é forte e emocionante e se desenvolve principalmente em Arrakis (ou Duna), um planeta periférico e desértico, que só tem importância por ser a única fonte de uma substância conhecida como "a especiaria" ou "melange" que, além de retardar o envelhecimento e proteger contra venenos, teria ainda efeito sobre os dons de presciência e aumento de capacidades dedutivas/lógicas de quem a toma.

Conhecemos o planeta por meio de três "povos", por assim dizer, os Atreides e os Harkonnen, duas famílias em guerra dentro do grupo de "grandes casas", que servem de balanço a um domínio imperial, em uma cultura feudalista e os Fremen, habitantes do deserto. Marginalmente, existe "A Corporação", um grupo de humanos viciados em especiaria que controla as viagens espaciais - eles afirmam que a especiaria é que torna os cálculos possíveis.

Neste cenário, acompanhamos a ida dos Atreides para Arrakis para substituir a tirania dos Harkonnen (o livro, nesse sentido, é bastante dicotômico, ao menos na primeira metade). Mas não há engano: os Atreides caminham para uma armadilha, preparada pelo próprio Imperador. O enfoque político, religioso e ecológico não briga com os dramas humanos existentes na trama, ao contrário, dá credibilidade aos mesmos, dando força ao roteiro extremamente bem pensado, tornando o livro o best-seller que foi, muito premiado e inclusive convertido em filme com direção de David Lynch (Twin Peaks, Cidade dos Sonhos) - que, apesar de elogiado por diversos quesitos técnicos, foi considerado uma bomba em termos de roteiro adaptado, tanto por fãs como pela crítica de cinema. Uma série de TV foi produzida depois pelo Scifi Channel (que eu saiba, não chegou ao Brasil) e há boatos de que um novo filme ou série seria produzido.

Sob qualquer ponto de vista, o livro de Herbert merece ser lido. É uma história de tirar o fôlego, com considerações cuidadosas em temas delicados como a religião; a consciência ecológica e política/estratégica encontrada na obra ainda hoje é rara de se encontrar na literatura. Não se deixe assustar pela quantidade de páginas e nem pelas seqüências - o livro vale muito por si só.

A criticar, apenas a descrição econômica de batalhas e o final um pouco apressado, deixando com gosto de quero mais. Algumas situações/idéias podem soar clichê, mas o leitor deve entender que Duna foi escrito em 1965, isto é, ele inventou algumas coisas que hoje são clichê. As notas ao final do livro também poderiam ser distribuídas em notas de rodapé, simplificando a leitura e o acesso do leitor à informação.

A avaliação final é de que o livro é fantástico, inteligente e mais do que recomendado. Se encontrar em algum sebo, compre!

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   Vários (2) comentaram:
Boa resenha! Você faria uma carreira como crítico de obras hehehe
Vê se posta com mais frequência, gosto dos seus posts. E last but not least, CADÊ VOCÊ???
Bjos!
    por: Anonymous giseli @ 15/02/08 21:51  

Acho que você foi gentil com a série, não é uma bomba, mas uma bomba atômica! Sci Fi Channel é famoso por conseguir estragar o inestragável!
    por: Blogger qoelheX @ 07/03/08 09:06  

 
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