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Fernando S. Trevisan
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@ 3.8.08 12:30

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Resenha do Romeu Martins no Overmundo
Por: Flávio Medeiros Jr.
Editora: Monções, 2004, 1ª edição
232 páginas

Elogiado primeiro romance do autor, "Quintessência" faz por merecer seus fãs: é uma estréia e tanto, misturando ficção científica, investigação e suspense.

A história situa-se em Minas Gerais - e esta já é uma boa surpresa -, em algum momento após a primeira metade do século XXI, sendo que a data nunca é precisada. De cara somos apresentados a um crime horrendo, aparentemente um atentado terrorista, que termina com seu autor suicidando-se usando uma "Sacred Fire" (ou "Fogo Sagrado"), um tipo de bomba que acaba com tudo o que toca em nível molecular - isto é, o autor do atentado não pode ser identificado, pois nada sobra dele para isso.

Designado para o caso, o oficial Tom Rizzatti fica assustado: ele já viu algo muito parecido, 5 anos atrás... Deste momento em diante temos uma corrida contra o tempo, conforme novas mortes acontecem e a polícia - em última instância, Rizzatti - encontra-se pressionada para resolver o caso.

Mas não pense que o livro é um page turner, no sentido de ser um daqueles livros que você vai pulando palavras e fazendo leitura dinâmica para chegar logo ao final, de tão empolgante. Ele é empolgante, mas a história tem pausas estratégicas, onde o autor inseriu reflexões de seu protagonista (creio que espelhando idéias do próprio autor) sobre a tecnologia, a sociedade e as motivações das pessoas.

Servindo tanto para pausar o ritmo - que poderia ser alucinante - como para acrescentar psicologia e profundidade na obra - que poderia ser rasa -, os pensamentos de Rizzatti fornecem pistas sobre a evolução do mundo e do Brasil nesses mais de 50 anos no futuro, com as implicações morais e éticas decorrentes da tecnologia cada dia mais avançada.

Os personagens não são "super-reais" - exceto pelo protagonista e alguns outros personagens importantes, mas isso não é um problema de forma alguma. As referências à literatura policial noir, aos quadrinhos e à cultura estadunidense são claras, prazerosas e não comprometem a leitura para os leigos nos assuntos - não são crípticas, sendo que muitas são explicadas pelo próprio protagonista, sob a forma de piadas.

Aliás, essa é outra excelente parte do romance, que balanceia o conflito entre a tensão e a profundidade com um humor aliviante, inteligente e não repetitivo. A própria situação-chave do romance, quando começa a se resolver, é cômica - embora trágica. E nisso o romance aproxima-se ainda mais de fatos reais, a despeito de toda a super-tecnologia existente e do distanciamento temporal da história.

Algo que também me atraiu foi o modo como o Flávio consegue projetar discussões atuais para esse seu futuro - só tomando um exemplo, o Brasil tem a Polícia Unificada, isto é, a Civil e Militar de hoje como uma polícia só, mas com dois gabinetes de comando, o civil e o militar. Ou seja, a mesma zona sob um nome só - bem típico do Brasil, bastante realista e ainda assim inovador.

Alguns amigos meus citaram que o livro pede uma seqüência. Eu não acho, mas não reclamaria nada de ler contos ou novelas das "Aventuras de Tom Rizzatti" ou algo assim - mas aí é o fã de histórias policiais/detetivescas, e de ficção científica, falando.

No saldo geral, um excelente livro, um dos melhores dessa "nova geração" de autores nacionais que agora começam a ganhar espaço no "fandom" - e nas livrarias, espero eu. Não consegui encontrar o "Quintessência" para vender on-line, minha edição - com uma simpática dedicatória - foi comprada diretamente do autor na Fantasticon 2008. O e-mail para contato é: livro.quintessencia@terra.com.br. Entre em contato com ele, garanta sua cópia e divirta-se!

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   Vários (5) comentaram:
Ótima resenha, Trevisa.

Já agradeci no Orkut, mas volto a agradecer aqui por ter linkado o meu texto sobre o livro.

E como eu disse lá nos comentários do terrorcon, aguardo teu texto...

abs
    por: Blogger Romeu Martins @ 04/08/08 15:48  

Grande Trevisan!

Uma das maiores recompensas para um escritor é perceber que seu leitor captou com perfeição "o espírito da coisa". Imagino que seja uma sensação semelhante à de um pai que vê alguém tratar seu filho com o mesmo carinho que ele mesmo lhe haveria dedicado.
É essa a sensação que me fica após ler sua resenha, e por isso quero lhe agradecer imensamente.

P.S.: Eu disse faz algum tempo que escreveria a continuação do Quintessência se algum dia tivesse uma idéia que valesse a pena. Bom, a idéia surgiu. Assim sendo, aguardem mais Tom Rizzatti por aí...rs*
Um abraço!

Flávio
    por: Anonymous Flávio Medeiros Jr. @ 04/08/08 20:21  

Bom texto, Trevisan! Também gostei bastante do livro. Vou ficar torcendo pelo futuro do Tom Rizzatti (e torcendo para que o Flávio não caia na tentação de utilizar o mesmo super-inimigo na continuação)! :) Acho que o Rizzatti merece uma galeria de inimigos diversificada, no melhor estilo Batman de ser.

Abss, Eric.
    por: Anonymous Eric Novello @ 07/08/08 12:27  

Romeu, eu sempre gosto de linkar coisas de qualidade relacionadas com o que eu escrevi - e as tuas resenhas/entrevistas são de extrema qualidade!

Flávio, como eu disse lá no Orkut, que bom que a resenha agradou e que eu consegui mesmo captar a essência do romance! Aguardo ansioso a continuação :)

Eric, eu acho bem possível que ele utilize o mesmo "super-vilão", dado o final do livro... mas, isso pode ser feito de forma inovadora e interessante. O jeito é esperar :D

Abs e valeu!
    por: Blogger Fernando S. Trevisan @ 07/08/08 13:06  

E eu fico torcendo para a editora reconsiderar a continuação do Quintessência (sem aquele papo das 30 primeiras páginas rs...).
Parabéns, Flávio!
Outra bela resenha, Fernando!

Beijos
Cris
    por: Anonymous Anônimo @ 07/08/08 15:18  

 
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