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Fernando S. Trevisan
2007-2008
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Por: Max Mallmann
Editora: Rocco, 2003, 1ª edição
224 páginas

Nada melhor para iniciar uma nova fase - com um novo layout aqui no Leituras - do que com a resenha de uma obra excelente: "Zigurate" é o quarto livro de Max Mallmann - ainda não tive a oportunidade de ler os outros, porém isso não deve demorar agora que li este. Um nome conhecido dentro e fora dos meios de ficção científica nacionais, Mallmann é roteirista da TV Globo e um dos grandes talentos consolidados do país, com projeção internacional, inclusive.

Para escrever este livro ele mergulhou no mito de Gilgamesh - a ponto de estudar o idioma e dos capítulos abrirem com caracteres cuneiformes sumérios - entrelaçando a história do mítico rei que buscava a imortalidade com o questionamento às origens do Cristianismo. Não pense, porém, que esse é um romance histórico. Na realidade, a história não poderia ser mais moderna.

Logo de cara somos confrontados com a "sentença de morte" da protagonista, uma balzaquiana francesa que, em conseqüência de genes ruins e dos coquetéis anti-AIDS que toma desde os 20 anos, sofre do coração. "Sofre" na realidade é um eufemismo: o infarto, segundo os médicos, é apenas uma questão de pouco tempo.

Sem amigos realmente íntimos e nem amores, distante de sua mãe, Sophie - nossa quase-morta - não vê outro consolo a não ser continuar vivendo e trabalhando em sua tese de doutorado: um estudo antropológico sobre como o velho testamento bíblico é, na realidade, uma compilação de mitos anteriores ao povo Hebreu.

É nesta pesquisa que Sophie se depara com uma evidência daquilo que ficará conhecido no livro como "Bíblia dos Áureos", uma versão adulterada que dá conta da criação do homem inicialmente a partir do ouro e não do barro, e de fato idêntico a Deus e imortal. Tendo - é claro - desafiado o Senhor, o primeiro homem e a primeira mulher são amaldiçoados a viverem eternamente, sem poderem ter filhos e sendo condenados ao esquecimento por parte dos "humanos de barro", que vivem tão pouco.

Parece incrível que, em um romance com pouco mais de 200 páginas, Paris, Edimburgo e Rio de Janeiro - com criminalidade e favela, inclusive, mas de forma interessante e original - possam coexistir com imortais de ouro, mitos Sumérios e uma francesa à beira da morte? Pois eu recomendo que você leia: o Mallmann atropela tudo e ainda adiciona marqueteiros norte-americanos e políticos brasileiros!

O ritmo do texto não é frenético, está mais para um passeio em uma estrada bem pavimentada, com um bom carro: não há solavancos, as coisas vão fluindo e os acontecimentos sucedem com inteligência e criatividade. Mesmo as reviravoltas e surpresas encaixam com perfeição na trama, que por vezes acelera, especialmente para o clímax ao final.

É uma pena que, nestes cinco anos, a história não tenha dado outros frutos - eu acho que caberiam tranqüilamente continuações ou histórias anteriores no mesmo "universo". No livro chegamos a saber o e-mail de um dos personagens e somos incentivados a escrever para ele na "orelha", mas o endereço já não pertence ao autor e as iniciativas de blogs de personagens não são atualizadas desde 2004.

A edição da Rocco é ótima, bastante durável e com uma capa, cores e diagramação atrativas. Porém, quando recebi o livro fiquei surpreso com a capa: não parecia algo de FC. Confesso que, se visse exposto numa livraria, sem saber quem é o Max e o que ele escreve, nem pegaria na mão para ler a sinopse. Mas, isso sou eu, nerd e fã de fc e fantasia. Eventualmente, pode ser que o livro tenha boa saída com o público "leigo" justamente por esses atributos que, para mim, são defeitos.

Portanto, não se deixe enganar pela capa e nem pelo "rótulo" de roteirista da Globo, que pode soar mal aos ouvidos mais, errr, "literatos". "Zigurate" é literatura de qualidade e o Max não foi finalista do Jabuti - com Síndrome de Quimera - à toa. Atualização: o parágrafo anterior foi mal-escrito por mim e dá a impressão que a capa é de má-qualidade; ela não é. Veja meu comentário abaixo, em resposta ao do Fábio Fernandes.

Cabe ainda uma nota final: o livro está em adaptação para o cinema! Segundo o IMDB, a estréia deve ser em 2009 e ele está em pré-produção... e eu mal posso esperar :)

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   Vários (6) comentaram:
O Zigurate me levou acordada madrugada adentro. Não consegui largar o livro do início ao fim, é um page-turner. Não fez rir tanto quanto Síndrome de Quimera, mas o que eu sofri pela Sophie...

E o leiaute ficou bonito, Fer, me dá vontade de tomar capuccino com canela.
Beijão
Cris
    por: Anonymous Anônimo @ 09/08/08 13:22  

Engraçado, Fernando, para mim, que não sou leigo, a capa ficou LINDA!! Aliás, se as capas de livros de FC brasileiras fossem assim, seríamos muito mais respeitados (e não estou falando só de termos de vendagem - é em termos estéticos mesmo. Essa é uma capa de alta qualidade, que tem tudo a ver com a qualidade do texto do Max).
:-)
    por: Anonymous Fábio @ 10/08/08 10:37  

Fábio,

A capa É linda, a moça da capa é linda e o planejamento gráfico é excelente, mesmo!

Pronto, deixando isso claro, reconheço que o penúltimo parágrafo poderia passar uma idéia errada sobre o que eu achei da capa.

Agora, reforçando o que disse antes, mesmo bonita, bem-resolvida, tudo a ver com a história, etc... a capa não me remete a um livro de FC ou de fantasia.

Honestamente, se eu visse numa "gôndola" em uma livraria, pensaria que é um livro "feminino", tipo "Trinta e feliz" ou "Nascidas em 1970"... sei lá. E eu acho essencial que o "visual" do livro venda o que há dentro dele, até pra gente encontrar o dito-cujo!

Eu ainda lembro de ter recebido o livro e pensado "ué, será que eu comprei o livro errado?"

Mas, como eu também disse no texto, pode ser só uma impressão de nerd... vai saber. :)

Um abraço e valeu a leitura/comentário!
    por: Blogger Fernando S. Trevisan @ 10/08/08 21:08  

Trevisan,

É uma grande felicidade ter um leitor tão atento. Valeu!

Abraços.
Max
    por: Blogger Max Mallmann @ 11/08/08 00:52  

Eu tb fiz uma resenha na época que Zigurate foi feita, e outra de Síndrome de Quimera. Seguem nos links abaixo.

http://www.ocisco.net/resenh05.htm

http://www.ocisco.net/resenh06.htm
    por: Blogger Luiz Felipe Vasques @ 11/08/08 18:49  

Luiz Felipe, valeu por comentar!

Pelo que eu vi, a tua resenha do Zigurate é a mesma que tá no E-Nigma que eu linkei ali no começo do texto, no "Veja também", não é?

Mas é bom saber que tem uma do "Síndrome" e, especialmente, que você tem um blog.

Valeu!
    por: Blogger Fernando S. Trevisan @ 11/08/08 21:11  

 
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