Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2008
Arquivos (mês.ano)

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Lendo
Na fila de leitura
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Em Leituras
@ 27.6.07 22:35

Tenho um arquivo aqui com algumas citações interessantes de leituras antigas, resolvi publicar para "me livrar" dele. Duas são de "Paraísos Artificiais", fantástico livro de Charles Baudelaire, em português.

Outras duas vêm da Paris Review "The Art Of Fiction", nº 36, que contém uma entrevista concedida por William S. Burroughs. Por fim, há uma citação de um blog, todas essas três em inglês.

"'(...)E tu', dirigindo-se para a Mater Tenebrarum¹, 'recebe-o dela por tua vez. Faze que o teu cetro seja pesado sobre a sua cabeça. Não consintas que uma mulher, com a sua ternura, venha sentar-se junto dele na sua noite. Expulsa todas as fraquezas da esperança, seca os bálsamos do amor, queima a fonte das lágrimas; amaldiçoa-o como só tu sabes amaldiçoar. Assim será tornado perfeito na fornalha; assim verá as coisas que não deveriam ser vistas, os espetáculos abomináveis e os segredos que são indizíveis. Assim lerá as terríveis verdades, as tristes verdades, as grandes, terríveis verdades. Assim ressuscitará antes de ser morto. E a nossa missão que recebemos de Deus será cumprida, e que é atormentar o seu coração até que tenhamos desenvolvido as faculdades do seu espírito.'(...)"
¹ "Nossa Senhora das Trevas", em um mix delicioso de paganismo e catolicismo.
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 145]

"(...)Profundas alegrias do vinho, quem vos não conheceu?(...) Como são grandes os espetáculos do vinho, iluminados pelo sol interior! Como é verdadeira e ardente esta segunda juventude que o homem vai buscar dentro de si! Mas quão temíveis são também as suas volúpias fulminantes e os seus feitiços enervantes!(...)"
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 166]



"(...)I think it`s the evolutionary trend. I think that words are an around-the-world, oxcart way of doing things, awkward instruments, and they will be laid aside eventually, probably sooner than we think. This is something that will happen in the space age. Most serious writers refuse to make themselves available to the things that technology is doing. I`ve never been able to understand this sort of fear. Many of them are afraid of tape recorders and the idea of using any mechanical means for literaly purposes seems to them some sort of sacrilege. This is one objection to the cut-ups. There`s been a lot of that, a sort of a superstitious reverence for the word. My God, they say, you can`t cut up these words. Why can`t I? I find it much easier to get interest in the cut-ups from people who are not writers - doctors, lawyers, or engineers, any open-minded, fairly intelligent person - than from those who are.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 12]

"(...)Most people don't see what's going on around them. That's my principal message to writers: for God's sake, keep you eyes open. Notice what's going on around you.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 15]

O PDF da entrevista completa pode ser encontrado no site da Paris Review.



"(...)they advise people to have 'strong opinions, which are weakly held.' They've been giving this advice for years, and I understand that it was first developed by Institute Director Paul Saffo. Bob explained that weak opinions are problematic because people aren?t inspired to develop the best arguments possible for them, or to put forth the energy required to test them. Bob explained that it was just as important, however, to not be too attached to what you believe because, otherwise, it undermines your ability to 'see' and 'hear' evidence that clashes with your opinions. This is what psychologists sometimes call the problem of 'confirmation bias.'(...)"
Bob Sutton's Work Matters Blog [lido em 6/1/07]

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Em Leituras
@ 23.6.07 18:00

Por James Redfield
289 páginas, Editora Objetiva

Existem duas maneiras de ler este livro. A primeira - e certamente foi a intenção do autor, pois ele declara isso na nota de abertura - é como uma história espiritual, que visa aumentar nos leitores seu envolvimento com um mundo cada vez mais espiritualizado, enxergando nas coincidências da vida fatos maiores que escapam ao alcance do não-espiritualizado.

Outra forma é ler como um romance fantástico, em dias atuais, onde as coincidências vão além do que realmente são, onde a intuição te leva ao caminho certo, mesmo que não pareça a princípio e onde as plantas e pessoas têm auras que indicam sua energia, entre outras coisas.

Em minha primeira leitura - e já se vão uns 5 anos, foi lá por 2002 - eu estava em uma fase de busca espiritual, tinha acabado de mudar de um estado para outro, saído da casa dos meus pais, enfim...

Muito do que o livro fala encontra eco no dia-a-dia. A idéia de pessoas que "sugam" tua energia, os perfis de questionador, coitadinho-de-mim, etc são bem próximos da realidade. Algumas coisas vão bem além e exigem crença, coisa que ainda hoje não consigo encontrar "por si".

O livro, como aventura, é um autêntico "page turner", exceto quando entra demais nas questões da profecia, em explicações. Mas isso não acontece tanto e a ação é constante, com o personagem principal tentando sobreviver enquanto aprende sobre a profecia e busca um novo e - aparentemente - último fragmento. Uma leitura interessante, mas não essencial, a não ser que você tenha essa crença que eu não consigo ter.

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@ 16:26

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Notas de Leitura
Por Virginia Woolf (tradução de Cecília Meireles)
180 páginas, Editora Nova Fronteira

Como escrevi antes, Woolf foi uma grande escritora. Sua prosa é rica e cínica, com diversas passagens memoráveis. A tradução de Cecília Meireles é excelente e vai além da mera transcrição de palavras, como faz o bom tradutor.

Orlando é a "biografia" deste personagem fictício de que Woolf se utiliza para veicular seu romance com tons de fantasia e crítica social. O tempo é utilizado de forma imprecisa - Orlando nasceu no século XVI, a história termina nos primeiros anos do século XX.

Nas primeiras páginas, dada a virtuosidade e crescente velocidade da narrativa, tentamos nos apegar a Orlando como fio condutor, um constante que permite nos situarmos na narrativa. Mas Woolf quebra e muda Orlando - mesmo mantendo-o o mesmo, de certa forma - e faz com que toda certeza, toda afirmação seja vã. Nada é constante, é como um longo sonho - em momentos, pesadelo - de que não acordamos, senão com o apagar das luzes.

O romance navega pela literatura e pela personalidade dos escritores, o papel da mulher e do homem na sociedade, as mudanças enfrentadas nos séculos passados - que devem ter parecido à autora mudanças velozes, dada a forma como cita os livros impressos, os aviões, os automóveis - pela psicologia de seu personagem principal e usa-o sem dó para demonstrar os pontos de vista da autora - que jamais ficam claros, sendo mais um convite para reflexão que uma defesa de valores e ideais.

Certamente um tanto auto-biográfico - Orlando é um escritor, durante todo o livro -, instigante, embora enfadonho em algumas passagens mais rebuscadas ou mesmo satíricas, é um livro virtuoso e excelente leitura. Recomendado. Cito aqui mais alguns trechos que me impressionaram ou pelo conteúdo ou pela forma:

"(...)'Diabo leve as mulheres!', disse Orlando para si mesma, dirigindo-se ao armário para servir um copo de vinho, 'nunca deixam uma criatura em paz. Não existe gente mais bisbilhoteira, mais curiosa, mais intrometida que essa.(...)"
Pág. 99

"(...)Orlando já sabia, pela sua própria experiência de homem, que os homens choram tão freqüentemente e tão sem razão quanto as mulheres; começava, porém, a perceber que as mulheres se escandalizam quando os homens manifestam sua emoção diante delas.(...)"
Pág. 100

"(...)Um homem que pode destruir ilusões é, ao mesmo tempo, fera e dilúvio. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Retirai esse brando ar e a planta morre, a cor empalidece. A terra por onde caminhamos é um ardente rescaldo. É marga o que pisamos, e seixos de fogo queimam nossos pés. Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos rouba os sonhos rouba-nos a vida.(...)"
Pág. 113

"(...)'É igualmente inútil', pensava ela, 'sonhares que me podes proteger, ou pensar que te posso adorar. A luz da verdade bate em nós sem uma sombra, e a luz da verdade nos assenta horrivelmente mal.(...)"
Pág. 115

"(...)'As mulheres são apenas crianças grandes... Um homem inteligente apenas se diverte com elas, brinca com elas, agrada-as e adula-as'.(...)"
Pág. 119

"(...)coisas que, fora do seu lugar, não têm encanto, mas no lugar próprio são positivamente de uma beleza deslumbrante. Pois, por uma sábia economia da natureza, nosso espírito moderno quase pode dispensar a linguagem; as expressões mais comuns bastam, desde que nenhuma expressão basta; por isso, a mais banal conversação é muitas vezes a mais poética.(...)"
Pág. 142

"(...)Todos aqueles anos pensara na literatura... ...como alguma coisa selvagem como o vento, ardente como o fogo, rápida como o raio; uma coisa errante, incalculável, insólita, e eis que a literatura era um senhor de idade, vestido de cinzento e falando de duquesas.(...)"
Pág. 157

"(...)a idéia de de que não são os artigos de Nick Greene sobre John Donne nem leis de oito horas nem convênios nem legislações fabris que têm importância, mas uma coisa inútil, súbita, violenta; uma coisa que custa a vida; encarnada, azul, púrpura; um jorro, um respingo; como aqueles jacintos... ...um barco de brinquedo no Serpentine, êxtase - êxtase, isso sim, é que importa.(...)"
Pág. 162

"(...)a literatura, depois de comer todos esses jantares, ficava muito corpulenta; em seguida... ...que a literatura, ouvindo todas essas conferências, ficaria muito seca; depois... ...que a literatura, usando todas essas estolas de pele, iria ficando muito respeitável; depois... ...que se o gênio necessita de todo esse mimo, vai ficando muito delicado.(...)"
Pág. 163

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@ 15:58

Por Grant Morrison (texto) e vários (arte)
Aprox. 100 páginas, Editora Panini Comics/DC Comics

A série firma-se agora como um trabalho autoral de Morrison de extrema qualidade e cheio de auto-referências reveladoras da trama que apenas aponta nas histórias. Neste número, acompanhamos mais uma aventura de Zatanna, outra de Klarion, do Guardião e do Cavaleiro Andante.

Klarion firma-se como meu personagem preferido até o momento - emergindo de sua cidade isolada, onde vivia com seus pais e parentes bruxos e "puristas" -, Klarion quer conhecer a "abóboda azulada", isto é, nosso mundo.

Aqui inicia um cruzamento de informações interessantes entre os personagens, pois Klarion interage com criaturas do submundo de Nova Iorque que já haviam aparecido ou citadas anteriormente na história do Guardião.

Há toda uma mitologia urbana que envolve o metrô e o subterrâneo de Nova Iorque - como pode ser visto, só para citar um exemplo, no filme "Os Caça-Fantasmas" - e ver essa mitologia tão bem mesclada com esses personagens estranhos que Morrison traz à tona é intrigante.

Zatanna continua interessante, mas a aprendiz Misty está cada vez mais roubando a cena e a aparição de um personagem mais "clássico, famoso e bem-sucedido" trouxe um interesse renovado à história.

Por fim, o Guardião finalmente descobre quem é seu contratante, enquanto sua vida desmorona aos poucos: sua namorada o abandona, ele e o jornal são ameaçados de processo e ele resolve desistir da carreira de herói, por considerar-se um fracasso.

Uma ótima edição, que continua a amarrar as pontas soltas mas deixando ainda mistérios suficientes para prender o interesse do leitor. E uma revelação interessante: na abertura, logo na contra-capa, o texto diz: "(...)Juntos, mesmo sem interagir entre si(...)". Estou ansioso pelo restante da série.

ATUALIZAÇÃO: esquecer de falar do Cavaleiro Andante apenas revela o quanto a aventura da edição atual me deixou desgostoso com o personagem. Entregando-se à polícia, o Cavaleiro tenta avisar o "tempo atual" sobre o perigo que enfrenta, porém ninguém acredita, é claro.

Não temos muitas novidades sobre o que aconteceu com seu cavalo alado - apenas citações de outros personagens - e revela-se um pouco mais sobre os objetivos dos Sheeda. Esta história do Cavaleiro é apenas um meandro, com muitas explicações mas poucos acontecimentos e, talvez por isso, a minha decepção. Mas, as conseqüências desta história serão importantes e, ao que tudo indica, o único realmente alerta do que está ocorrendo é o Cavaleiro... como coloquei antes, estou ansioso pelo restante da série :)

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@ 02:42

Por Bruce Jones (texto) e Ariel Olivetti (arte)
111 páginas, Editora Panini Comics/DC Comics

O primeiro arco de histórias (nº 1 e 2) desta nova publicação da Editora Panini Comics foi um pouco fraco. A idéia é revisitar histórias clássicas do homem-morcego, trazendo o lado mais "detetive" de Batman, ao invés do lado super-herói.

Já neste nº 3, o resultando é um "page turner" de tirar o fôlego. A trama gira em torno de um seqüestro e um desaparecimento misteriosos em uma noite de blecaute em Gotham City, com Wayne envolvido amorosamente com a irmã de uma das vítimas.

Tomado de dúvidas sobre sua missão, Batman segue as migalhas de pistas que tem e que o levam, cada vez mais, a becos sem saída - informantes que sumiram, um velho inimigo aparentemente aposentado do crime, o corrupto dono de uma casa de shows (ou "inferninho")... a cada passo, Batman percebe que sim, algo está acontecendo e sim, todos eles sabem o que é... menos ele.

O final não foi a melhor coisa da edição, embora não tenha estragado o desenvolvimento primoroso e quase psicológico da história. Sem dúvida, a revista vale a pena de comprar e ótima arte apenas ajuda a compor o quadro sombrio que é a alma torturada de Wayne, em sua cidade sem esperança...

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@ 19.6.07 23:04

por Virginia Woolf, tradução de Cecília Meireles

Woolf foi realmente uma grande escritora - tendo Cecília Meireles como tradutora, tudo fica ainda melhor. O livro vem em um crescendo, utilizando cada página e cada fase do personagem como marcadores e indicadores de para onde o livro caminha.

Há algum exagero em algumas partes, um excesso de lirismo, talvez, mas até o momento a leitura não é pesada, nem deixa de ser instigante saber para onde é que vai o tal Orlando em suas desventuras.

O livro tem um pé na literatura fantástica (ou de fantasia) e outro na psicologia de seus personagens - não me admira que ela fosse leitora voraz dos russos. Todos os personagens estão nús: sob a lente de Virginia, ninguém tem segredos ou, antes, apenas os segredos que ela mesma não quer revelar, que deixa acontecer conforme o momento.

Por fim, algumas frases/passagens excelentes, que eu gostaria de marcar para relembrar:

"(...)A quem havia amado, que havia amado até ali? perguntava a si mesmo, num tumulto de emoção. E respondia: uma velha, que era só pele e ossos. Inúmeras rameiras de faces pintadas. Uma gemedora monja. Uma aventureira implacável, de lábios cruéis. Uma sonolenta massa de renda e etiqueta. O amor não tinha sido para ele mais do que serradura e cinzas. AS alegrias que lhe havia oferecido eram extremamente insípidas. Espantava-se de o ter podido suportar sem bocejos.(...)"
Pág. 22

"(...)Aqui viveram, por mais séculos do que posso contar, as obscuras gerações da minha própria obscura família. Nenhum desses Ricardos, Joões, Anas, Elisabetes, deixou atrás de si um testemunho individual, embora todos, trabalhando juntos, com suas pás e suas agulhas, seus amores e suas maternidades, tenham deixado isto.(...)"
Pág. 58

"(...)Qual o êxtase maior? O da mulher, ou o do homem? Não serão talvez o mesmo? Não, pensava, este é o mais delicioso (agradecendo ao capitão e recusando); recusar e vê-lo entristecer. Bem, aceitaria, se ele o desejava, um pedacinho pequenino, o menorzinho possível. Isto era a coisa mais deliciosa: ceder e vê-lo sorrir. 'Pois nada', pensava, voltando ao seu lugar no convés, e prosseguindo seu raciocínio, ' é mais divino do que resistir e ceder, ceder e resistir'(...)"
Pág. 86

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@ 18.6.07 02:37

Por Philip K. Dick
300 páginas, Editora Aleph

Intenso, assustador e surpreendente. A literatura de Dick muitas vezes evoca estes adjetivos, mas não é sempre que eles aparecem em conjunto. Neste livro, Dick apresenta uma história alternativa sobre nosso mundo: o que aconteceria se os aliados perdessem a II Guerra Mundial contra o eixo?

Em um mundo dividido entre os metódicos e - para os ocidentais - incompreensíveis japoneses e os racistas expansionistas alemães, personagens improváveis como um judeu e sua ex-mulher; um comerciante de "antigüidades" norte-americanas; um executivo japonês e um misterioso escritor têm suas vidas entrelaçadas em fatos que vão além de seu alcance ou mesmo de suas ambições.

Além de apresentar o mundo nesta realidade alternativa, Dick também explora preconceitos e orgulhos dos estadunidenses, visões de um mundo mais avançado cientificamente porém ainda desequilibrado em termos de poder. A Ásia e o Oriente Médio, que em nossa realidade sempre foram importantes em termos de balanço do poder mundial, são áreas meio "apagadas do mapa" no livro de Dick.

O foco nos EUA e nas culturas germânicas e nipônicas dá força ao livro, que poderia tornar-se cansativo ou mesmo "escolar", se seguisse por outra linha. Ao invés, Dick leva o leitor por uma trama envolvente, buscando a solução do mistério por trás de um livro que fala... sobre como seria o mundo se os nazistas não ganhassem a guerra.

Há também a curiosa influência do I Ching, que é originalmente chinês, mas que permeia o universo nipônico imaginado por Dick e tem parte decisiva no desenvolvimento da história. Um livro que joga com questionamentos sobre a realidade e o papel que desempenhamos com nossas ações, da importância delas para o mundo.

Leitura mais que recomendada, sendo este um clássico da história alternativa e da ficção científica.

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@ 01:48

Por Grant Morrison (texto) e vários artistas
Aprox. 100 páginas por edição (200 páginas até agora), Editora Panini Comics/DC Comics

Que Morrison é louco, isso é de conhecimento geral de quem curte quadrinhos. Agora, 7 Soldados da Vitória é um "tour de force" de loucura, jogando a criação de um grupo de heróis "fracassados" (tanto em vendas quanto nos quadrinhos) em histórias separadas, que vão lentamente (até o momento) se entrelaçando.

A primeira edição é bastante confusa, com a tentativa inicial de criação de um grupo e subseqüente dispersão do mesmo. A segunda edição começa a dar linha para algumas das idéias iniciais, gerando curiosidade e interesse pelo restante da história e fazendo valer o investimento.

Os personagens mais interessantes até o momento são Zatanna - que já era interessante quando participou de "Livros da Magia", entre outros - e Misty, sua aprendiz; o Cavaleiro Andante e Klarion, o menino-bruxo. O submundo no universo do "Guardião" é interessante, também, mas algo ainda a avaliar.

Vai ser interessante ver o que Morrison faz com essa salada de personagens, estilos e histórias e como tudo isso vai se integrar em uma série só.

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@ 01:29

Por Orson Scott Card (texto) e Andy Kubert (arte)
Aprox. 120 páginas, Editora Panini Comics/Marvel

Li opiniões extremadas sobre esta série - uns acharam instigante, outros, lixo ilegível. A verdade é que: 1. é pouco espaço para muita história; 2. é muita pirotecnia para explicar algo razoavelmente simples (e um moralismo que só o Card poderia ter, para explicar o alcoolismo de Tony Stark); 3. é o segredo mais mal guardado da história dos quadrinhos!

Há uma série de potencialidades que, com mais espaço e um tratamento mais sutil, poderiam dar um resultado excelente. Mas a arte do Andy Kubert, comercial apenas, não ajuda na empreitada e o resultado é mediano. Para completar, na edição 2 eles finalizam com... "continua em Homem de Ferro Millenium 2!"

Das duas uma, ou estão tratando o leitor como idiota, anunciando uma série em 2 edições e depois prolongando-a artificialmente por criar um "volume" 1 e 2; ou o erro foi tão grosseiro que denota pressa, incompetência e falta de cuidado com o trabalho. Não sei o que é pior. Resultado final? Economize seu dinheiro...

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@ 01:11

Por vários autores
90 páginas, Editora Pixel

A Pixel Magazine é como uma revista de "apresentação", reunindo histórias "fechadas" e isoladas de diversos universos publicados pela editora.

Nesta edição, uma história bastante original com John Constantine, uma história interessante com o nem sempre bom "Sandman original" (Weasley Dodds, que usa uma máscara e usa um gás do sono para prender bandidos), uma história forte e intrigante de "Planetary", da dupla Ellis & Cassaday, com o adendo ótimo do maluco Grant Morrison e seus Invisíveis, além de duas histórias curtas no "universo" criado por Neil Gaiman, no sonhar, uma com Morte e outra com Nuala, a ex-amante do ex-Lorde Moldador...

Tudo muito confuso? Muitos nomes? Vale a pena correr nas bancas, que até sexta ainda tinham esta edição da PM, e comprar - você leva algumas horas de diversão das boas, sem ter que ler zilhões de quadrinhos depois para situar-se na "cronologia".

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@ 00:11

Veja Também:
Scarium
Por diversos autores
70 páginas, Scarium

Uma das mais bem-sucedidas revistas de Ficção Científica & Fantasia nacionais, com mais de 5 anos de estrada, tem nessa edição comemorativa de aniversário um de seus pontos altos.

Além dos contos excelentes - incluindo uma nova tradução de Poe pelo editor, Gabriel Boz - a revista foi responsável por acender uma enorme celeuma no "gueto" da FC nacional, com o artigo bombástico de Alexander Lancaster e Ana Cristina Rodrigues.

Os adjetivos acima não são exageros - ao menos se considerarmos as reações ao artigo. Vi e ouvi, ao vivo e a cores, a revolta, mágoa e indignação de muitos que levantaram vozes - e digitaram furiosamente ao teclado - contra o texto.

Polêmicas à parte - abordarei isso de outra forma, em outro espaço - a revista firma-se como uma referência de FC&F no país, capaz de mexer com o gueto de fãs e esgotar uma edição, feito que não é para qualquer revista.

Não recomendo apenas a Scarium 19, mas sim a assinatura completa da revista. Não é muito dinheiro pelo retorno em diversão, conhecimento e - até - polêmica!

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@ 17.6.07 23:26

Por Christopher Moeller (texto e arte)
120 páginas, Editora DC Comics

Com um roteiro interessante e arte "aquarelada" (?) boa, fora do padrão dos quadrinhos normais, a aventura centra-se na Mulher-Maravilha. Em uma visita à Ilha Themyscira, lar das amazonas, ela descobre uma profecia sobre a sua morte... e de toda a Liga da Justiça, por obra de uma rainha-dragão que está sendo revivida.

Decidida a salvar a Liga e matar a rainha-dragão sozinha, a Mulher-Maravilha mente e derruba um a um de seus companheiros. Uma boa briga com a Rainha-Dragão e seus súditos, seguidos por um final previsível, tornam essa HQ uma leitura interessante, mas nada essencial. A boa arte de Moeller vale a pena, também, mas sozinha não salva o roteiro previsível.

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@ 23:23

Por Judd Winick (texto) e Dale Eaglesham (arte)
45 páginas, Editora DC Comics

História interessante - arte mediana - com o novo Lanterna Verde (sucessor de Hal Jordan), Kyle. Naquilo que ele pensa que serão férias (óbvio que algo acontece), ele viaja para um distante planeta chamado Tendax, para servir como embaixador em uma cerimônia importante - o acordo definitivo de paz entre duas facções daquele planeta que passaram muito tempo em guerra.

Após alguns dias de descanso e paz, Kyle e sua namorada participam da cerimônia, com cenas grandiosas de alegria popular. Kyle descreve assim: "Parece uma mistura de casamento real com vitória eleitoral. É como um carnaval com aliens, música de primeira". Mas um atentado terrorista que mata 43 crianças põe fim tanto à festa como ao tratado de paz, mergulhando o planeta em uma guerra que Kyle e sua namorada vão tentar evitar.

O final é algo surpreendente para um quadrinho de heróis e é impossível não fazer paralelos com situações infelizmente cotidianas em nosso planeta, como a briga israelenses vs. palestinos ou outros confrontos raciais. étnicos ou similares. Boa leitura para uma hora livre, mas nada clássico ou realmente surpreendente.

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@ 23:06

Por R. Crumb (aproveitando trechos de entrevista de Dick para Gregg Rickman)
9 páginas, Fragments West/The Valentine Press

Dick foi um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. Suas obras geraram adaptações cinematográficas clássicas, rentáveis e famosíssimas, como Blade Runner, Total Recall, Minority Report e A Scanner Darkly. E deve ter mais por vir.

Além de escritor de FC, Dick também era um sujeito considerado muito doido. Um dia, sofrendo de terríveis dores na boca devido a um dente do siso arrancado, ele pede para entregarem em casa remédios para a dor. Ao ver um reflexo do sol no pingente da entregadora - um peixe dourado de perfil - ele alucina que está na Palestina antiga e é um cristão perseguido pelo Império Romano.

A visão dura apenas um momento, mas retorna ainda mais forte um mês depois. Dick sente como se houvesse uma outra consciência em sua mente, uma outra pessoa que o faz agir corretamente, "arrumando" literalmente sua vida - ele começa a ganhar muito dinheiro; descobre, por indicação da tal consciência, que seu filho tem uma hérnia e consegue tratá-lo a tempo; além de conseguir falar grego, hebraico e aramaico fluentemente.

Toda essa experiência é relatada por Dick em diversos textos e em uma entrevista concedida a Gregg Rickman, em 1981, cujos diálogos são extensamente utilizados nos quadrinhos. A arte de Crumb intensifica a sensação surreal da leitura, especialmente nos trechos em que Dick descreve como tudo continuou normal na vida dele, embora a consciência sempre estivesse ali, controlando-o, enquanto ele é apenas um espectador.

Dick passa anos com essa consciência que, depois, ele acredita ser Elias ou o próprio Deus. A crença dele nisso é tão poderosa que ele tenta se matar quando o espírito finalmente o abandona. Esse período de Dick, por assim dizer, influenciou fortemente suas obras, que passaram a ter um componente místico até então apenas sugerido, se tanto. A HQ é quase uma biografia super-resumida de Dick, do momento em que ele é tomado pelo espírito até sua morte. Uma leitura inquietante, valorizada pela arte de Crumb, altamente recomendada.

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@ 22:22

Por Mike W. Barr (texto) e Jerry Bingham (arte)
100 páginas, Editora DC Comics

História e arte medianas, que apresentam o lado detetive de Batman misturado a um lado humano pouco comum no cavaleiro das trevas. A premissa básica é o aparecimento (ou retorno?) de um terrorista - Qayin - e sua briga pessoal com um velho inimigo de Batman, Rã's Al Ghül. Para temperar a história, Batman só toma conhecimento de tudo isso ao ser salvo por uma aliada e ex-amante, Tália, filha de Rã's.

A história evolui da investigação de Batman - ajudado pelo comissário Gordon, coadjuvante na trama - para identificar os terroristas e tentar acabar com seu plano, que envolve controle do clima e chantagem. Na busca desse objetivo, Batman vê-se temporariamente aliado de Rã's, enquanto um envolvimento - que os autores gostariam que fosse romântico, mas torna-se apenas sexual - desenvolve-se com Tália.

A história força na direção que os autores queriam, sem um desenvolvimento decente dos personagens ou mesmo dos acontecimentos, que se atropelam a fim de cumprir a limitação de 100 páginas. Há um final razoavelmente surpreendente, com uma ponta solta para futuras histórias ou, pior, para futuras lambanças da DC Comics com seus personagens. Enfim, mediano.

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@ 21:54

Por Ricardo Semler
237 páginas, Editora Rocco

A experiência desgastante de assumir a empresa da família (no caso dele, do pai) e modernizá-la: na ausência de modelos nacionais de administração, Semler faz uma "salada" de técnicas, se desgasta e resolve mudar de vida.

Ou virar a mesa, daí o título do livro. Ele conta inicialmente a vida de jovem workaholic, da aceitação em Harvard - desconfio que, apesar do humor que envolve todo o livro, ele colocou isso lá justamente para os incrédulos pensarem "mas caramba, o cara freqüentou Harvard!". Da profissionalização da Semco, passando pela transmissão do controle acionário para as mãos dele e desembocando na constituição de uma empresa literalmente revolucionária, o livro é uma aula de profissionalismo, busca da verdadeira qualidade e de ética, especialmente.

As referências de Semler não são poucas e o fato do nome dele ser pouco conhecido do grande público brasileiro é sintoma da miopia das elites empresariais do país, historicamente autoritárias e avessas a mudanças, em especial no que concerne a como tratar funcionários e parceiros.

Apontado como um dos jovens líderes mundiais, Semler conta as mudanças e aquisições que levaram a Semco à liderança dos setores em que atua - ou vice-liderança, eles não aceitam menos que isso. Impressionam, no livro, as descrições de como tratar as greves, de como tratar os funcionários (ou melhor, as pessoas) e de como abolir organogramas e hierarquizações em prol de uma empresa mais humana e um ambiente melhor para se trabalhar - e assim, claro, mais lucrativo também.

Impressiona também, para quem já leu "papas" da administração como Kotler, Peters e outros, a humildade com que Semler fala de suas experiências. O livro é quase uma conversa de boteco - sem perder a seriedade - e ao mesmo tempo declara-se abertamente como uma abertura para diálogo. É lógico que em diversos pontos ele mostra a Semco como o exemplo de que o que ele diz dá certo, mas ele admite que nem tudo o que está ali foi implantado e que existem vários graus de modificações culturais espalhados nas várias empresas do grupo.

O fim do paternalismo, a busca de um ambiente de trabalho saudável, confiável e instigante fazem de "Virando a própria mesa" um tremendo inspirador, uma obra que empolga e influencia seu pensamento mesmo sem você se dar conta disso.

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@ 20:43

Por Angeli, Glauco e Laerte (com participação "especial" do Adão Iturrusgarai)
80 páginas, 1994, Editora Ensaio

Caçar miguelitos, brigar com os "Hell's Angels de Acapulco" e tentar arrumar mulheres são apenas algumas das enrascadas em que os 3 amigos se metem. Coletânea de tirinhas publicadas no jornal Folha de São Paulo, entre 1991-92, com adição de "tirinhas de rodapé" especiais para esta edição, o trio arrasa no humor negro, escrachado e politicamente incorreto que marcou época. Vale a compra!

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@ 19:33

Ler, ler, ler. Ler mais. E mais um pouco.

De que valeria todo esse esforço de leitura, se tudo ficasse perdido nas brumas da memória - ainda mais da minha memória, que às vezes é um buraco negro sugando as coisas para todo o sempre?

(Uma das coisas ruins em aproximar-se do pessoal que lê ficção científica aqui no Brasil é que você fica mais criterioso e receoso de citar, falar, usar ciência. Mas dane-se.)

Pretendo usar este espaço para registrar o que tenho lido e o que já li, com resenhas opinativas. Não espere grandes críticas literárias, citações de obras clássicas comparativamente, nada disso. Isto é um caderno de estudos, acompanhe se quiser.

Então, ao que interessa! Este blog usa recursos do LibraryThing, que recomendo veementemente. Embora limitado quando falamos em quadrinhos e coisas assim, o LT é perfeito para catalogar livros e permitiu a criação do espaço de "livros na prateleira", ao lado.

Estou avaliando ainda se vou usar "parcerias" para vendas de livros, com o Submarino e afins. Provavelmente sim, porém não pense que vou citar livros aqui apenas para ganhar dinheiro. O objetivo, como já citado, é outro. Mesmo porque esses programas de parceria, em geral, não rendem quase nada.

Vou iniciar com as resenhas mais recentes - primeiro, de quadrinhos e depois de livros. Sinta-se à vontade para comentar, criticar, apontar coisas não notadas ou mesmo recomendar leituras. Participação é mais que bem-vinda.

Mãos à obra!

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