Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2008
Arquivos (mês.ano)

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Em Leituras
@ 18.7.07 22:00

Por Alan Moore, Paul Jenkins, Warren Ellis (texto) e J. H. Williams III, Sean Phillips, John Cassaday, Kevin Nowlan, Rick Veitch (arte)
98 páginas, Pixel Media/DC Comics (Vertigo)

A revista segue firme com histórias interessantes e apresentando séries importantes do selo Vertigo. Neste número, temos a estréia de Promethea, mais John Constantine e Planetary, além de duas histórias de Alan Moore por seu selo "ABC (America's Best Comics)".

Em Promethea, somos apresentados à personagem principal que é na realidade uma história, uma menina salva por seu pai e por deuses pagãos do genocídio promovido por fanáticos católicos. Levada ao mundo de Imatéria, Promethea pergunta aos deuses se poderá voltar ao nosso mundo - ao que respondem "Bem, às vezes, se uma história for muito especial, ela pode conquistar as pessoas. Veremos."

Já Sophie Bangs vive em um futuro um pouco distante, em meio a carros que voam, grupos de super-heróis "comportadinhos", policiamento ostensivo e gibis com nomes como "Gorila Chorão" ("*soluço* a vida moderna me faz sentir tão solitário!"). Pesquisando sobre Promethea para um trabalho final de escola, ela revive a heroína e inicia uma série de aventuras.

O sempre excelente texto de Moore com a nada convencional arte de Williams III garantem uma ótima história - o negócio é acompanhar para ver como será o desenrolar. Mas, pela fama da série lá fora, o material todo deve ser muito bom.

Na seqüência, mais uma boa história de John Constantine, embora cheia de referências que podem confundir os leitores que não conhecem bem o personagem. Nenhuma história tão boa quanto a de Ellis na edição anterior, porém intrigante para quem leu edições anteriores de Constantine.

Planetary dá prosseguimento ao mistério que circunda a série - e sua publicação aqui no Brasil. Afinal, será lançada em revista isolada ou continuará dentro da Pixel Magazine? A história é boa e a arte de Cassaday, como sempre, é fantástica. Mas nada se esclarece e essa indefinição quanto ao futuro da série é inquietante.

Por fim, temos duas historietas de Alan Moore bastante engraçadas e gostosas de ler, um bom fechamento, leve e irônico, para uma revista com histórias mais "pesadas" como Constantine e Planetary.

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@ 12.7.07 23:23

Por Neil Gaiman
436 páginas, Conrad Editora

Neil Gaiman é um autor que a gente não deveria ter que apresentar, mas é recorrente encontrar pessoas que jamais ouviram falar deste inglês genial. Gaiman é responsável pela revitalização e reinvenção de um título de quadrinhos chamado Sandman, criando uma história premiadíssima, que o alçou ao "estrelato" dos quadrinhos. Já há algum tempo Gaiman vem trabalhando com os livros e neste Deuses Americanos podemos ver que ele não perde nada na passagem de HQ para livro.

Atualizando e navegando por diversas mitologias, Gaiman cria uma guerra entre os antigos deuses e os novos - deuses da mídia, dos automóveis, dos aviões - enquanto acompanhamos a busca de um homem chamado Shadow.

Durante suas andanças em busca da verdade sobre quem é e no que está metido, Shadow é acompanhando por sua mulher - ressuscitada temporariamente dos mortos - e um homem misterioso chamado Wednesday, que busca aliados entre os deuses antigos para a guerra que virá.

O leitor é apresentado a diversas divindades e aos seus destinos no mundo moderno, como sobrevivem mesmo praticamente esquecidas e certamente não mais reverenciadas. Os personagens, situações e cenários são excelentes e Gaiman conduz a trama de forma hábil - embora em alguns momentos um pouco cansativa - para um final surpreendente.

Um livro que reflete sobre como nosso mundo tem mudado de forma demasiado rápida e sobre tudo que deixamos para trás no meio dessas mudanças todas, incluindo nossa identidade e nossas esperanças. Recomendado.

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@ 11.7.07 18:35

Por: Ferréz (texto) e Alexandre De Mayo (arte)
50 páginas (aprox), Editora Pixel Media

Aposta em quadrinhos nacionais da Pixel Media - a primeira, até onde sei - Ferréz fez fama com seu livro "Capão Pecado" e sua coluna na "Caros Amigos". Já De Mayo é mais conhecido por seu trabalho junto ao mundo do Rap.

O resultado é uma ótima HQ, com leitura muito boa e uma arte que - embora não seja genial e abuse de recursos de colorização computadorizada - é competente. Na história, acompanhamos como a vida daqueles que entram no crime se repete, a partir de dois personagens centrais: Igordão e Pipo.

Claro que há o habitual "playboyzinho, vai se fudê", "a vida na periferia é quente", etc. Os clichês sobre a favela e a atitude "rebelde" perante a sociedade que marginaliza também estão ali. Mas a história nem por isso perde o apelo. As imagens da favela são bastante realistas e o drama dos dois personagens em destaque é sincero e crível.

O único porém - apesar da qualidade gráfica da edição - é o preço, que está um pouco além do que deveria estar. É uma Graphic Novel boa para todos os que quiserem variar das histórias de heróis/fc/fantasia/horror que existem no mercado. Mas eu não consegui deixar de sentir um cheiro de potencial mal aproveitado...

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@ 10.7.07 06:10

Por Ed Brubaker, Greg Rucka (textos) e Michael Lark, Brian Hurtt, Greg Scott, Stefano Gaudiano, Jason Alexander (arte)
700 páginas aprox., Editora DC Comics/Panini Comics

O título desta resenha poderia muito bem ser "Law And Order: Gotham City". A série de quadrinhos ambientada no "universo" de Batman é uma autêntica série policial, com duas "pequenas" diferenças: 1. maior uso de palavrões e 2. existem "aberrações" no cenário, como o próprio Batman, Coringa, Duas Caras, etc.

A série enfoca a vida dos detetives que trabalham na polícia de Gotham. Batman "em pessoa" é um personagem secundário, que aparece pouco nas páginas da HQ. Porém sua presença, sua sombra é fonte de medo, frustração e reações extremadas por parte dos policiais. O novo comissário, além de estar "sob" Batman, ainda enfrenta o desafio de substituir James Gordon, agora aposentado e um herói reconhecido da cidade.

Premiadíssima, a série faz por merecer seu reconhecimento, trazendo personagens humanos, críveis, em um universo ficcional saturado de fantasias, justiceiros, super-vilões e semelhantes. Pelas mais de 700 páginas (até agora) desfilam dramas de morte, medo, desejo e superação, fracasso e desistência.

A série é publicada dentro da "DC Especial", uma série regular que publica histórias paralelas de personagens do universo DC. O primeiro número saiu em março de 2005, o que significa que não é tão fácil de se obter, mas vale tanto a busca quanto o investimento. Recomendado a qualquer fã de histórias policiais, telespectadores de Law And Order e até mesmo aos fãs "normais" do homem-morcego. Fico só me perguntando quando é que alguém vai ter a inteligência de produzir uma série para TV adaptando estes roteiros...

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@ 05:40

Por Grant Morrison (texto) e Frank Quitely (arte)
88 páginas aprox. (24 por edição), Editora DC Comics/Panini Comics

Recomendação do amigo Marcelo Galvão, confesso que jamais compraria por iniciativa própria. Primeiro que Superman não é meu personagem favorito, segundo por desconfiar dessas séries com títulos pomposos.

Porém, seria um desperdício deixar passar o excelente roteiro de Grant Morrison e a arte limpa, meio européia e com influências de Moebius, de Quitely. A série abre com a morte anunciada de Superman, em uma trama muito bem pensada por Lex Luthor (claro).

Somos apresentados a cientistas que buscam colher amostras solares e viajam entre dimensões, enquanto Superman tenta lidar com seus "novos poderes" e o recente anúncio de que não é mais imortal.

A série nestes 4 números desenvolve-se bem - nas bancas, já está no número 7, mas não consegui achar o 5º ainda - e estou curioso para ver o que Morrison fará com esse Super, mortal e cheio de poderes estranhos. É continuar a ler para saber, comentarei em novas resenhas aqui...

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@ 6.7.07 12:45
Por vários autores/artistas
96 páginas, aproximadamente, Editora Pixel Media

A Pixel Magazine - revista de "apresentação" (ou revista "balão de ensaio") dos títulos de que a Pixel dispõe de direitos para publicação - firma-se como uma revista agradável, interessante e variada.

Neste número, temos uma apresentação convincente de "Fábulas", série premiadíssima lá nos EUA, que chegou a ser comparada com o Sandman, de Neil Gaiman - exagero, em minha humilde opinião.

Apesar de não ser tão genial quanto Sandman, a história nesta edição é uma excelente e inspiradora leitura. A revista continua com uma história curta de John Constantine, escrita por Warren Ellis, de horror psicológico, um dos pontos altos de Ellis.

Na seqüência, uma história de Planetary, que não explica nada e apenas atiça a curiosidade para a série. Aliás, esse foi um dos pontos baixos da edição, embora a história em si seja boa, ela é claramente um ponto de ligação entre histórias e não "fecha", ao contrário da história de Fábulas e de Constantine, fugindo ao propósito declarado da revista.

Por fim, temos uma história curta e ingenuamente divertida de Cobweb, por Alan Moore e sua agora esposa Melinda Gebbie, seguida de uma matéria tergiversando sobre os futuros lançamentos da Pixel. Resultado final: a Pixel Magazine continua na minha "lista de compras" de HQs mensais.

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@ 5.7.07 12:10

Por Alfredo Castelli (texto) e Lucio Filippucci (arte)
50 páginas (aprox.), Editora SAF Comics/Mythos Editora

Mystère teria sido um personagem criado por Paul Deleutre (sob o pseudônimo de Paul D'Ivoi) que teria conhecimentos exóticos e viveria fantásticas aventuras em todo o mundo ao lado de seu jovem e desastrado assistente Cigale.

Os quadrinhos extrapolam o conceito, reaproveitando - e satirizando - clichês da literatura de aventura fantástica. A narrativa irônica de Castelli em perfeita fusão com a arte "ingênua" de Filipucci ajudam ao efeito cômico e aventuresco.

Nos dois volumes lançados até o momento, vemos repetidas vezes Cigale amparar - em momentos de perigo - as madames e senhoritas que requisitam os serviços do famoso detetive, não sem deixar de apalpar seus seios ou olhar suas roupas íntimas. A série satiriza de Sherlock Holmes e Peter Pan até Star Wars e Jornada nas Estrelas, passando por H. G. Wells e E. T. A. Hoffman - e isso apenas em dois volumes!

A edição bem cuidada graficamente pela Mythos apenas adiciona valor a esta HQ, minha única "crítica" sendo o valor final, que poderia ser reduzido em 2 ou 3 reais, certamente ampliando o público potencial. Um fator extremamente positivo é o conceito de publicar uma história completa por edição, mesmo havendo alguma continuidade.

No volume 1 vemos o detetive e seu ajudante chegarem a Madri em seu "hotel elétrico" para ajudar uma dama cujo marido, construtor de um metrô subterrâneo "ecológico", desapareceu. Na investigação, Mystère enfrenta seu arquiinimigo, que manipula e ajuda um grupo de chineses a ressuscitar um dragão que dormiria sob a cidade.

No volume 2, Mystère e Cigale embarcam na primeira viagem tripulada para a lua, onde descobrem... que a lua é habitada e freqüentada, já, por seres humanos! Mystère tem o dissabor de saber que seu arquiinimigo não morreu, mas encontra-se na lua aliado aos habitantes da "face escondida" do satélite no planejamento de uma invasão à Terra.

Diversão garantida, sem compromisso e nem profundidade, com muita ironia.

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@ 4.7.07 05:40

Por Jorge Luis Borges
103 páginas (85 aprox., na realidade), Editora Globo

Essencial.

Um livro tão cheio de trechos "citáveis" que não dá para anotar e citar tudo aqui, senão incorro em quebra de direito autoral.

Temos neste livro um Borges jornalístico, descrevendo horrores e infâmias mundo afora, requentando histórias alheias porém em um estilo muito próprio, frio, incisivo.

As 15 páginas (aprox.) "perdidas" com prefácios e prólogos são essenciais para bem degustar a obra, situando-a historicamente e recuperando algumas (mas não todas) das muitas referências.

De um falso "redentor" que enganava escravos negros nos EUA, acenando com a liberdade mas apenas enganando e lucrando, até um duplo de Maomé, que recebe os muçulmanos no céu, passando por "Billy The Kid", uma história de uma pirata chinesa e outras pérolas.

Como coloquei na abertura da resenha, esta edição bem-cuidada da Editora Globo é essencial. A capa trabalhada sobre arte de Will Eisner e a qualidade gráfica da obra são um adendo necessário para a qualidade do texto de Borges.

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@ 05:39

Por Robert Ludlum
645 páginas, Editora Guanabara

Confesso que peguei o livro apenas por uma curiosidade tremenda sobre o tema, sem saber previamente que o autor escreveu os livros que originaram a série de filmes "A Identidade Bourne", "A Supremacia Bourne" e o ainda por sair "O Ultimato Bourne.

Neste calhamaço, temos três histórias entrelaçadas por um herói em comum. No primeiro livro, conhecemos o deputado estadunidense "Evan Kendrick", ex-empreiteiro no Oriente Médio e Golfo Pérsico, que perdeu todos os funcionários e suas respectivas famílias em um "acidente" ao inaugurar uma de suas obras.

A oportunidade para conhecer o deputado nos é oferecida por meio da contribuição dele à resolução de uma crise - uma embaixada estadunidense tomada em Oman por terroristas palestinos, aparentemente manipulados pelo mesmo adversário comercial que provocou o "acidente" que matou os amigos e funcionários de Evan.

A partir daí, desenrolam-se diversas tramas conectadas, com muita ação, mudanças de rumo inesperadas, teorias de conspiração, algum romantismo e sexo temperados com muito heroísmo patriótico - bem ao gosto de Hollywood. A discussão de temas árabes e da realidade no Oriente Médio é superficial, sempre colocando os EUA como uma liderança mundial em busca da paz e não da guerra.

Ao mesmo tempo, Ludlum inova um pouco ao apontar os EUA e forças dentro do governo como causadoras e colaboradoras de crises e de terroristas. Claro, o governo dos EUA está envolvido, mas são "forças internas", um "governo dentro de um governo" e por aí vai... sendo que o próprio presidente é apresentado como ignorante do que seus subalternos fazem e também um moralista que, ao descobrir, briga com todos.

O resultado final é uma trama bem pouco plausível, cheia de furos e que apresenta a CIA e os órgãos de segurança dos EUA como corruptos e incompetentes; porém, perdoando-se tudo isso, o livro é um page-turner, entretendo o leitor sem exigir muito de sua inteligência - aliás, é melhor deixá-la um pouco de lado ao ler "A Agenda Icarus".

Recomendado para um final de semana chuvoso e sem outras opções prévias.

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