Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2008
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Lendo
Na fila de leitura
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Em Leituras
@ 30.7.08 10:00

Durante e depois de ter escrito os artigos anteriores sobre a FANTASTICON, estive em uma maratona de trabalho que não me deixou fazer quase nada mais, a não ser acompanhar as listas e blogs - e olhe lá; na seqüência fiquei bastante doente mas já estou me recuperando.

Só que, desde a publicação do primeiro artigo, surgiu a idéia de fazer um "pós-escrito" sobre a parte pessoal do evento e sua repercussão on-line. Vamos a ele.

Outras resenhas

Muita gente falou da FANTASTICON 2008. Na comunidade de Ficção Científica do Orkut, por exemplo, houve um tópico especialmente sobre ela com mais de oitenta mensagens e muitos participantes colocando fotos nos álbuns de seus perfis.

Na web "afora", algumas resenhas pipocaram, como a da Ludimila Hashimoto que, embora ela classifique como "chapada", foi muito boa: uma impressão bastante pessoal sobre o que rolou por lá, complementada com a reprodução - autorizada - do ótimo relato sobre o sábado, primeiro dia do evento, por Ivo Heinz.

Nazarethe Fonseca, escritora de "Kara e Kmam", também "resenhou" o evento em seu blog, que foi "repostado" por Alex de Souza no site "No Minuto".

Giseli Ramos também deu sua opinião sobre o evento; Fábio Fernandes por sua vez - infelizmente! - não fez um relato pessoal, mas agradeço imensamente a citação dele aos meus relatos.

Para fechar as resenhas que surgiram, o Luiz Pires do Fabulário Zine fez um artigo em três partes sobre as palestras e sobre o evento como um todo, bem interessante e com fotos: primeira, segunda e terceira (final). O Luiz conseguiu colocar em palavras a sensação que eu tinha sobre os "eventos paralelos", dos quais reclamei na primeira parte dos meus relatos, falando sobre palestras que começavam enquanto outras ainda rolavam - realmente, uma boa solução seria "intercalar eventos", sem sobrepor, como ele sugeriu.

O "lado pessoal"

Depois de honrar as outras resenhas, acho que compete falar um pouco do lado pessoal do evento. Em primeiro lugar, é sempre ótimo rever os amigos (Ivo, Cris, Octávio, Gerson, Ana, não vou conseguir listar todos) e conhecer um pessoal novo, como a Nazarethe que eu já citei, o pessoal da Hoplon (responsáveis pelo Taikodom), o Flávio Medeiros (autor do excelente Quintessência) e um pessoal da comunidade de FC do Orkut.

A cervejada de sábado a noite também trouxe papos ótimos sobre FC, o fandom atual e "histórico", projetos novos que estão aparecendo dos participantes, etc. Estavam lá o Gerson Lodi-Ribeiro, a Ana Cristina Rodrigues (presidente do CLFC), o pessoal da Hoplon que eu já citei (Tarqüínio, Maria Emília, Jacque, Roctávio), um pessoal da comunidade de FC (Huguinho, Jorge, Ricardo), Octavio Aragão, Jacques Barcia, Flávio Medeiros, Marcelo Galvão, Clinton Davisson, Aguinaldo Peres, entre outros que eu certamente devo ter esquecido.

Circulei muito pelo EIRPG, também, especialmente com o Ivo Heinz no sábado e encontrando poucos amigos - infelizmente! Será que o pessoal todo já abandonou o RPG? - um deles o Leandro R. Fernandes, colaborador do Fabulário, que estava com alguns livros que "comprei" através dele há meses (desculpe por isso!); o Richard Diegues (da Tarja Livros) e a sempre sorridente Verena Peres, entre outros.

Fiquei decepcionado com o EIRPG: nada de "grandes ofertas" e descontos, pouquíssimos livros e quadrinhos disponíveis, nenhum ou quase nenhum lançamento... senti uma queda substancial do ano passado para este, com a Devir/Terramédia "dominando" a venda de itens em seus já conhecidos "preços abusivos" - minha opinião.

Outra coisa decepcionante no EIRPG foi a proibição que o pessoal da OPELF enfrentou de vender os livros da Cristina Lasaitis e da Nazarethe Fonseca, entre alguns outros, que não estavam disponíveis por nenhum outro comerciante no EIRPG, mas que ainda assim proibiram pois o estande deles era do tipo "não comercial". Entendo que deve haver um contrato e restrições, mas eles não estavam realmente ali para fazer comércio e sim para divulgar a OPELF e conseguir arrecadar uma grana para ajudar a organização deles - tanto é assim que a organização do EIRPG permitiu que vendessem o fanzine. Se o fanzine pode, por que os livros não?

Respondendo comentários e agradecendo

Na comunidade do Orkut, o Aguinaldo sugeriu e a Ana deu esperanças de um "repeteco" das palestras em outro evento, vamos "aguardar e confiar"! O Ricardo - ainda na comunidade FC no Orkut - sugeriu que eu faça outras resenhas de eventos sobre literatura fantástica: elas virão, conforme eu participe dos eventos, e ficarão agrupadas sob a etiqueta evento.

Por fim, agradeço novamente a todos que comentaram/recomendaram os textos, confesso que não esperava a repercussão e fiquei feliz que os relatos serviram tanto para quem não estava presente - que era meu público-alvo - como para quem estava.

É isso. E agora volto com a programação normal do blog: ainda esta semana, resenha de "Fábulas do Tempo e da Eternidade" de Cristina Lasaitis e a edição #8 do "Leituras Web"! Na seqüência, resenhas de "Zigurate" de Max Mallmann e "Quintessência" de Flávio Medeiros Jr. Até lá!

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Em Leituras
@ 13.7.08 01:35

Veja também:
"PS"
Continuando a série de artigos sobre a FANTASTICON 2008... se você chegou aqui agora, leia a Parte 1 e a Parte 2 primeiro.

"Um olhar sobre a literatura fantástica atual", Fábio Fernandes, Guilherme Kujawski, Jacques Barcia e Sérgio Kulpas

Quero iniciar este texto dizendo que é impossível dar uma descrição tão detalhada quanto a que fiz da palestra do Octavio. Em primeiro lugar, não foi uma palestra "linear", com um conteúdo específico: foi muito mais um debate aberto, com interferência constante (e geralmente positiva) do público e troca de idéias entre os palestrantes - importante dizer que não há julgamento de valor aqui.

A mesa/palestra teve início com uma longa exposição - embora de forma alguma cansativa - do Fábio Fernandes sobre o "New Weird" e o novo na ficção científica. É preciso dizer que, apesar de ser uma mesa sobre a "literatura fantástica atual", falou-se muito mais em FC e um pouco de fantasia, sendo que os outros gêneros praticamente ficaram de fora. Novamente, isso não foi ruim!

Um dos primeiros livros citados foi "Perdido Street Station", de China Miéville, autor britânico. Comparado por Fernandes com "Neuromancer", de William Gibson - autor no qual o palestrante é especialista - devido a quebrar paradigmas então vigentes na literatura fantástica. A história envolve ficção científica, steampunk, magia e mitologia; sendo um exemplo perfeito da "New Weird".

Fernandes deu continuidade a sua fala com um clamor aos escritores que busquem e criem novos referenciais além dos clássicos como Clarke, Asimov e Heinlein - sem ignorá-los, claro - no que foi secundado por todos os participantes da mesa; que é necessário ler tanto para ter referências ("e por que não absorver estilos alheios? Por que não se influenciar?") e também para não "plagiar", para realmente inovar. Contraditório? Não: é assim que tudo vem sendo feito há tempos, como bem destacou o Octavio na palestra de sábado.

Conforme a globalização avança, ainda segundo o palestrante, devemos ter mais obras inovadoras de povos que tinham sua produção "represada" até agora, como os chineses, indianos e dos países do leste europeu. Não apenas a produção, mas também os temas estão globalizados, sendo um sinal disso os livros "River of Gods" e "Brazyl", ambos de Ian Mcdonald, ganhadores do Prêmio da Associação Britânica de Ficção Científica e indicados ao Hugo Award.

Se autores britânicos podem escrever sobre a Índia e o Brasil - e o melhor, com qualidade, sem cair nos clichês - por que não podemos escrever sobre o medieval? Por que não explorar os temas, os países, o mundo? Se houver inovação, não há motivo para limitar-se.

Desta análise a conversa focou no mercado nacional, que apresenta sinais claros de melhoria. Aumentou a quantidade de livros publicados - ainda que muitos sejam clássicos antigos ou republicações, há muitos novos autores nacionais publicando. Existe um aumento de eventos relacionados aos gênero fantástico - como as mesas promovidas pela Livraria Cultura em SP - e estes têm obtido boa recepção de público, para além do "fandom". Há ainda uma sintomática movimentação on-line, com as comunidades relativas ao gênero tendo participação massiva. Novas revistas, e-zines e publicações exclusivamente on-line também surgem quase que mensalmente.

O Fábio indicou ainda uma mudança de postura, como no caso do autor Nelson de Oliveira com seu "Subsolo Infinito", que é claramente literatura fantástica, publicada por uma grande editora e com boa recepção de crítica, mas que inicialmente não "se assumia" - a velha situação, se é bom, então não é de um dos "gêneros fantásticos". A situação está mudando com seu autor aproximando-se do gênero e desejoso de republicar o livro, agora assumindo o gênero¹.

Por fim, citou que há uma "mudança dos tempos" no "fandom" e nos escritores que participam do mesmo, onde o espaço para discussões inúteis, lamentações e imposição de egos está acabando, dando lugar a produção constante, consciente e, cada vez mais, com qualidade.

Sérgio Kulpas assumiu então, destacando que a FC não tenta "prever" ou "falar do" futuro, mas que ela o molda. Como? Devido a conexão que o gênero tem com tudo o que acontece de novo hoje; como Verne fazia e Gibson faz até hoje: lendo o jornal diariamente, estando a par daquilo que ocorre hoje e extrapolando isso, pensando no que isso significa ou no que isso pode influenciar nos anos futuros.

Guilherme Kujawski, que é um dos organizadores da "Emoção Art.ficial 4.0" e autor de "Piritas Siderais - Um Romance Cyberbarroco", considerou a dificuldade em criar FC hoje, devido a velocidade das mudanças tecnológicas, lembrando novamente de Gibson com seus "Reconhecimento de Padrões" e "Spook Country", que ocorrem nos tempos atuais, abandonando a ficção científica especulativa, pois ela já aconteceu na realidade.

Houve também uma citação que o Kujawski fez referente a um autor que não recordo (e que não consegui anotar a tempo), mas que dizia que existem três grandes problemas que a humanidade precisa resolver: o crescimento populacional, a imposição dos valores ocidentais e o progresso tecnológico¹ e que, resolvendo-se um dos três, os outros dois resolveriam-se por si - e isso poderia ser base para muitas histórias de FC "atualmente".

Kujawski falou também do que considera um problema atual para a FC: a queda para o transcendental; a experiência fora do corpo, o abandono dos problemas e questões de agora para uma solução pós-morte. Há uma tendência para reverter isso - ainda segundo o Guilherme¹ - trazendo uma estética imanente para a arte e, portanto, para a literatura e seus gêneros.

Fábio Fernandes fez um aparte citando o Accelerando, de Charles Stross (que está disponível para download gratuito aqui, em inglês, claro) que trata de um grupo de "realizadores", de pessoas que decidem fazer algo e realmente tomam a tarefa a cabo, mesmo levando séculos para resolver. Assim, o Fábio propõe que os escritores realmente assumam a tarefa de moldar o futuro.

O Jacques Barcia, que até então havia feito apenas alguns apartes e comentários, iniciou uma descrição dos principais "sub-gêneros", por assim dizer, atuais. Iniciando pelo já citado "New Weird", caracterizado pelo surreal; pelo grotesco do corpo, como meio de questionar o real e retratando sempre a cidade, como uma forma de questionar as estruturas de poder. O New Weird teria um componente muito forte de fantasia, porém não escapista e sim entrelaçada com a nossa realidade de alguma forma que a reflita e ainda possa gerar identificação.

Na seqüência ele falou do steampunk como um gênero em alta, senão na literatura ao menos nas animações, cinema, quadrinhos e outros meios mais visuais. Não poderia deixar de ser diferente, pois o steampunk tem uma "levada" muito mais estética do que política e/ou reflexiva, desde sua criação por William Gibson e Bruce Sterling com seu "The Difference Engine". Gerson Lodi-Ribeiro, que estava na platéia, fez um aparte sobre steampunk e história alternativa, mas o Jacques consideruo que steampunk eventualmente pode ser história alternativa, mas não obrigatoriamente, por não haver (muitas vezes) um ponto de divergência bem definido. Da mesma forma, steampunk é exatamente o cyberpunk, porém historicamente deslocado, utilizando tecnologia e estética vitorianas para quebrar com a frieza do concreto, do digital.

Não creio que o steampunk seja forte como literatura, hoje. Porém é forte com certeza como "imagem", como "imaginário". A quantidade de coisas criadas em torno da estética é estonteante, especialmente nos Estados Unidos.

Outros dois temas abordados foram o pós-humanismo, que seria o fim do corpo como conhecemos, sendo algo totalmente diferente no futuro e a new space opera. O pós-humanismo "per si" gera muita polêmica, especialmente em mentes mais "cruas", mas é uma realidade já hoje: quantas pessoas não vivem quase normalmente às custas de modificações corpóreas como marca-passos, próteses e similares? As técnicas de "brain hacking" estão tornando-se constantes em publicações científicas como um debate atual que precisa ser travado. A alteração do corpo por motivos estéticos também já é bastante comum, desde implantes sub-cutâneos até modificações mais extremas como bipartir a língua.

Isso indica que a FC ainda tem sim caminhos a percorrer, mesmo no meio especulativo. Não pude deixar de lembrar de Warren Ellis e seu "Transmetropolitan", onde um rapaz deixa seu corpo para viver como uma "poeira nanorobótica", fazendo "download" (ou "upload"?) de seu cérebro, de sua consciência, para essa "nanopoeira", que ele pode manipular de qualquer forma, inclusive dando aspecto "humano". Neste ponto, todos na mesa foram a favor de boas histórias, com elementos humanos, ao invés da mera "previsão futurística", no que foram aparentemente secundados pela platéia. Outra associação imediata foi com um conto de Cristina Lasaitis, onde o ato de deixar seus "corpos virtuais", pós-humanos, para trazer a "realidade física, limitadora" traz conseqüências funestas aos protagonistas.

A New Space Opera, por sua vez, seria uma atualização de Flash Gordon e Buck Rogers (exemplos), tendo a grandeza, a conquista espacial, grandes impérios com o elemento épico e a estética como chaves para a renovação do gênero. Removendo as "princesas" e o heroísmo maniqueísta original, claro.

Ao final da palestra, fiquei com a certeza de que existem chaves para a nova FC ou mesmo para a nova literatura fantástica, sendo a principal delas a "estética". Do papel que o "design" tem em nossa vida até a "imagética" que envolve os novos gêneros descritos, em tudo a estética exerce uma força enorme, quando não predominante, como no caso do steampunk e da new space opera.

Por fim, o Jacques anunciou a revista Kalíopes (que foi ao ar no site do CLFC ao mesmo tempo que o e-zine Somnium Nº 101) e a Terra Incógnita, uma revista editada em conjunto com o Fábio Fernandes, que será primariamente publicada em inglês, visando alçar a produção nacional ao alcance mundial. Atualização: Fábio Fernandes avisa nos comentários que a revista não será, inicialmente, em inglês, apenas o blog Post-Weird Thoughts, que já é em inglês, será incorporado. Porém avisa também que os planos são de publicações em inglês no futuro, sim, o que não invalida meu comentário abaixo :)

Particularmente, não só quero aplaudir como festejar a iniciativa. Faz tempo que debato, especialmente na extinta (infelizmente!) lista da Intempol, que a internacionalização não só é uma saída para o mercado de nicho que é a literatura fantástica aqui no Brasil, como também a via mais "futurista" possível. O uso de inglês tende a difundir-se cada vez mais, sendo já a linguagem padrão nos negócios e no turismo. O lançamento de um fanzine como o Fabulário em inglês, dentro de uma feira literária nacional, apenas reforça essa impressão e o acerto da iniciativa. Sabendo ainda que eles têm diversos textos de grandes autores anglófonos para publicar, a coisa só fica melhor.

O Kulpas e o Kujawski, por sua vez, anunciaram planos de publicar livros, sendo um em conjunto e outro "solo" (do Kulpas). O livro em conjunto, ao que tudo indica, vem sendo desenvolvido há anos e trata-se de dois irmãos que comunicam-se apenas via cartas (ou e-mails?) e que refletem sobre suas vidas em ambientes totalmente diferentes, um imerso na cidade, na urbanidade e o outro em um ambiente mais saudável/bucólico¹.

Achou esta descrição da mesa muito cheia de referências, links? Sua cabeça está explodindo com a quantidade de coisas faladas, com a diversidade de assuntos? Se a reposta for sempre "sim", então eu consegui passar para você o que foi estar lá. Era impossível anotar tudo de interessante que vinha à tona! Caso contrário, fique ligado para a FANTASTICON do ano que vem e, se alguma mesa deste estilo, com algum desses caras (ou, melhor ainda, todos juntos) estiver na programação, não perca!

Aproveito para pedir desculpas pelo atraso na publicação deste relato, espero que o resultado final tenha compensado a espera!

¹ Aqui escrevo de memória e, como já faz uma semana praticamente, posso estar errado. Corrijam-me nos comentários se for o caso, por favor!

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Em Leituras
@ 12.7.08 15:05

Vi este no blog da Cristina Lasaitis. OK, mais um meme, mas ao menos é outro que combina com o "fluxo natural" do blog. Sobre o meme, como lembra a Cris, existem clássicos que não aparecem na lista e, tendo origem em meios "anglófonos", claro que nada de livros nacionais. As instruções:

1) Marque em negrito os que você leu
2) Em itálico os que deseja ler
3) Sublinhe aqueles que você ADORA

ADIÇÕES MINHAS:

4) Risque os que você não pretende ler NEM A PAU
5) Negrite e risque os que você leu mas não gostou

E a última regra é a mesma de todos os memes, passe adiante ;) Desde já deixo claro que existem alguns que nem ouvi falar. Então aí vai:

1 Pride and Prejudice - Jane Austen
2 The Lord of the Rings - J.R.R. Tolkien
3 Jane Eyre - Charlotte Bronte
4 Harry Potter series - J.K. Rowling
5 To Kill a Mockingbird - Harper Lee
6 The Bible
7 Wuthering Heights - Emily Bronte
8 Nineteen Eighty-Four - George Orwell
9 His Dark Materials - Philip Pullman
10 Great Expectations - Charles Dickens
11 Little Women - Louisa M Alcott
12 Tess of the D?Urbervilles- Thomas Hardy
13 Catch 22 - Joseph Heller
14 Complete Works of Shakespeare
15 Rebecca - Daphne Du Maurier
16 The Hobbit - J.R.R. Tolkien
17 Birdsong - Sebastian Faulks
18 Catcher in the Rye - J.D. Salinger
19 The Time Traveler?s Wife - Audrey Niffenegger
20 Middlemarch - George Eliot
21 Gone With the Wind - Margaret Mitchell
22 The Great Gatsby - F. Scott Fitzgerald
23 Bleak House - Charles Dickens
24 War and Peace - Leo Tolstoy
25 The Hitch Hiker?s Guide to the Galaxy - Douglas Adams
26 Brideshead Revisited - Evelyn Waugh
27 Crime and Punishment - Fyodor Dostoyevsky
28 Grapes of Wrath - John Steinbeck
29 Alice in Wonderland - Lewis Carroll
30 The Wind in the Willows - Kenneth Grahame
31 Anna Karenina - Leo Tolstoy
32 David Copperfield - Charles Dickens
33 Chronicles of Narnia - C.S. Lewis
34 Emma - Jane Austen
35 Persuasion - Jane Austen
36 The Lion, The Witch and The Wardrobe - C.S. Lewis
37 The Kite Runner - Khaled Hosseini
38 Captain Corelli?s Mandolin - Louis de Bernieres
39 Memoirs of a Geisha - Arthur Golden
40 Winnie the Pooh - A.A. Milne
41 Animal Farm - George Orwell
42 The Da Vinci Code - Dan Brown
43 One Hundred Years of Solitude - Gabriel García Márquez
44 A Prayer for Owen Meaney - John Irving
45 The Woman in White - Wilkie Collins
46 Anne of Green Gables - L.M. Montgomery
47 Far From the Madding Crowd - Thomas Hardy
48 The Handmaid?s Tale - Margaret Atwood
49 Lord of the Flies - William Golding
50 Atonement - Ian McEwan
51 Life of Pi - Yann Martel
52 Dune - Frank Herbert
53 Cold Comfort Farm - Stella Gibbons
54 Sense and Sensibility - Jane Austen
55 A Suitable Boy - Vikram Seth
56 The Shadow of the Wind - Carlos Ruiz Zafón
57 A Tale of Two Cities - Charles Dickens
58 Brave New World - Aldous Huxley
59 The Curious Incident of the Dog in the Night-time - Mark Haddon
60 Love in the Time of Cholera - Gabriel Garcia Marquez
61 Of Mice and Men - John Steinbeck
62 Lolita - Vladimir Nabokov
63 The Secret History - Donna Tartt
64 The Lovely Bones - Alice Sebold
65 Count of Monte Cristo - Alexandre Dumas
66 On The Road - Jack Kerouac
67 Jude the Obscure - Thomas Hardy
68 Bridget Jones?s Diary - Helen Fielding
69 Midnight?s Children - Salman Rushdie
70 Moby-Dick - Herman Melville
71 Oliver Twist - Charles Dickens
72 Dracula - Bram Stoker
73 The Secret Garden - Frances Hodgson Burnett
74 Notes From a Small Island - Bill Bryson
75 Ulysses - James Joyce
76 The Bell Jar - Sylvia Plath
77 Swallows and Amazons - Arthur Ransome
78 Germinal - Emile Zola
79 Vanity Fair - William Makepeace Thackeray
80 Possession - A.S. Byatt
81 A Christmas Carol - Charles Dickens
82 Cloud Atlas - David Mitchell
83 The Color Purple - Alice Walker
84 The Remains of the Day - Kazuo Ishiguro
85 Madame Bovary - Gustave Flaubert
86 A Fine Balance - Rohinton Mistry
87 Charlotte?s Web - E.B. White
88 The Five People You Meet in Heaven - Mitch Albom
89 Adventures of Sherlock Holmes - Sir Arthur Conan Doyle
90 The Faraway Tree Collection - Enid Blyton
91 Heart of Darkness - Joseph Conrad
92 The Little Prince - Antoine De Saint-Exupery
93 The Wasp Factory - Ian Banks
94 Watership Down - Richard Adams
95 A Confederacy of Dunces - John Kennedy Toole
96 A Town Like Alice - Nevil Shute
97 The Three Musketeers - Alexandre Dumas
98 Hamlet - William Shakespeare
99 Charlie and the Chocolate Factory - Roald Dahl
100 Les Miserables - Victor Hugo

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@ 10.7.08 13:20

Veja também:
Parte 3

"PS"
Continuando a série de artigos sobre a FANTASTICON 2008... se você chegou aqui agora, leia a Parte 1/3 primeiro.

"A Ficção como base para uma nova realidade: de Baker Street ao Sítio do Picapau Amarelo", Octavio Aragão

A palestra teve início com um pouco de atraso, mas começou bem, com uma surpresa: um "clipe" da nova HQ "Para tudo se acabar na quarta-feira", que se passa no "multiverso" da Intempol. Muito bem produzido, o vídeo deixou todos ansiosos pela publicação.

Logo após - e aqui estou me guiando tanto pela memória quanto pelas notas que fiz - Octavio apontou a pós-modernidade como chave para toda a palestra. Contrapondo a "leitura funcional" - extremamente popular hoje com os best-sellers de auto-ajuda - e a leitura "por prazer", apresentou a visão de que a realidade hoje é composta pela ficção.

Segundo o palestrante, quando assistimos a um jornal, o "fato" ali apresentado é incompleto e depende da nossa imaginação e interpretação para tornar-se real. Dessa percepção - e de dados como a pesquisa onde os entrevistados disseram que Winston Churchill era ficcional e Sherlock Holmes, real - conclui-se que a realidade é composta pela ficção e que descartar uma leitura por ser "ficcional demais" ou não-utilitária é não atentar para o que fazemos diariamente, mesmo que inconscientemente.

O "mix" entre personagens e fatos "reais" (ou "históricos") com personagens e fatos "fictícios" foi um dos temas mais presentes na palestra do Octa. Desde Homero e a Ilíada, passando pelos folhetins - que teriam realmente iniciado a confusão de "real" com "ficcional" na mente do leitor, talvez por serem seriados - até as "biografias" de Holmes e de outros personagens ficcionais, o "crossover" realidade vs. ficção está presente na literatura e no imaginário das pessoas.

O "mapeamento" invocou a confusão com direitos autorais - o que fazer no caso de "reaproveitamento" de personagens como, por exemplo, Alan Moore fez em seu "Lost Girls"? Essa é uma questão atualíssima, que o palestrante soube trazer à tona com uma visão histórica - os direitos autorais, especialmente na "ficção alternativa", jamais foram respeitados, a não ser forçosamente, por meio de leis e ação policial ou, em casos raros, preventivamente, por meio de compra ou cessão dos direitos de uso.

Ainda falando nesse "crossover" realidade e ficção, bem como sobre "ficção alternativa", Octavio comprovou que as "fanfics" são muito mais presentes do que se imagina. Citando o infame livro de Jô Soares, "O Xangô de Baker Street" e a obra de Monteiro Lobato (que reconta Peter Pan e inclui diversos personagens de outros escritores em seus livros), a "fanfic" é presente e antiga, recebendo essa denominação e sua atual popularidade com a internet - de onde também vem sua conotação negativa, devido a alguns trabalhos de baixa qualidade publicados on-line.

Aproveitando o tema, Octavio demonstrou que "ficção alternativa" é um termo real, acadêmico, citando o livro de Eric B. Henriet (veja abaixo) e também que seu livro, "A Mão que Cria", foi o primeiro a ser publicado assumindo-se como ficção alternativa, e não o primeiro texto de ficção alternativa publicado no Brasil.

Outro tema, conseqüência dos anteriores, foi o conceito de "Mitoversos", ou os mundos "mitológicos" formados pela união de diversos cenários, personagens e fatos reais e ficcionais, como no caso de Wold Newton, de Philip José Farmer.

Por fim, Octavio citou alguns livros que inclui em minhas anotações para comprar ou pesquisar futuramente: "Encyclopedia of Science Fiction", de John Clute (mais informações); "L' Histoire Revisitée" de Eric B. Henriet e "A Turma do Sítio na Semana de 22" de Márcia Camargos.

A palestra toda foi bastante empolgante, cheia de insights e de referências interessantes. Deu para perceber que o conteúdo foi preparado com esmero e que o Octavio falou de algo que realmente entende. Houveram as "cutucadas básicas", como na questão da importância e qualidade das fanfics, bem como no assunto "ficção alternativa" (conforme descrevi acima). Enfim, uma palestra excelente e com conteúdo relevante. Estou na torcida para que o Octa coloque a palestra on-line para download!

Respondendo aos comentários

Vou aproveitar o espaço para falar um pouco dos comentários recebidos para a parte 1 deste relato. Primeiro agradeço a leitura e a disposição em comentar da Gi, da Cris e do Silvio Alexandre, organizador da FANTASTICON. Creio que é importante avaliar os problemas e as qualidades de toda empreitada, a fim de fazer um ajuste fino nas próximas oportunidades. Embora tenha resultado em um evento "escondido", a mudança de local foi bem justificada pelo Silvio, que lembrou a barulheira (realmente) vinda do pátio no ano passado.

Quanto a ter que escolher entre boas palestras rolando ao mesmo tempo, claro que não era uma "reclamação": sem dúvida prefiro um evento com muitas oportunidades. Como não consegui me ater ao que havia programado, não tive realmente essa dificuldade, mas foi algo que me deixou pensando e planejando antes de ir para lá. E isso é bom! Que o ano que vem nos deixe assim, ansiosos e planejadores, novamente.

Amanhã, a parte final do meu relato da FANTASTICON 2008, com as impressões sobre a mesa "Um olhar sobre a literatura fantástica atual". Até lá!

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@ 9.7.08 20:40

Veja também:
Parte 2

Parte 3

"PS"
Para aqueles que não sabem, a FANTASTICON é um evento sobre literatura fantástica, isto é, ficção científica, fantasia, horror e terror, além de uma série de "sub-gêneros" dentro destes.

A edição deste ano teve lugar no Colégio Marista Arquidiocesano em São Paulo (capital) nos dias 5 e 6 de julho, junto ao XVI Encontro Internacional de RPG, com palestras, vídeos, mesas de bate-papo, lançamentos de livros e revistas, entre outros.

Um resumo

Daquilo que participei, só posso dizer que o evento foi excelente. Participação, temas, palestrantes/debatedores, tudo ótimo. A reclamar apenas o excesso de eventos paralelos interessantes (ok, isso não é algo realmente a reclamar) e a "invisibilidade" da FANTASTICON dentro do evento de RPG - conseguiram colocar as salas em um local ainda mais isolado do que na edição anterior.

Fui para a FANTASTICON querendo participar, essencialmente, de três palestras: a de Octavio Aragão no sábado (que foi excelente), a de Braulio Tavares (que perdi) e a mesa-redonda sobre novos rumos da FC (excelente), ambas no domingo.

Maiores detalhes

O evento começou "realmente" para mim na sexta-feira de tarde, em um almoço com meu amigo Ivo Heinz, que é um grande conhecedor de FC e sempre me apresenta para livros e autores interessantes. À noite, ainda na sexta, fui até o lançamento de "Fábulas do Tempo e da Eternidade", da minha amiga Cristina Lasaitis - já estou na metade do livro e gostando muito, em breve sairá uma resenha por aqui.

No sábado, ainda sentindo efeitos do "buslag" (viagem de 11h de Balneário Camboriú até SP, sem dormir), cheguei por volta do meio-dia no EIRPG. Porém e a FANTASTICON? Foi difícil encontrar o evento: placas indicavam a direção, mas de repente elas sumiam e eu ficava "?!?"

Rodei o pátio, subi até onde havia sido o evento no ano anterior, procurei meus amigos, nada. Só quando encontrei a já mencionada Cris, próximo à área de estandes do EIRPG é que consegui entender como fazer para chegar até a FANTASTICON. Infelizmente, parece que a "invisibilidade", tão recorrente quando se fala de FC e afins, atacou novamente.

Uma vez no lugar certo, embarquei no finalzinho da palestra "O Vampiro Antes de Drácula", da Martha Argel e Humberto Moura Neto, que estava divertida e informativa, apesar de um sujeito irritante na primeira fileira ficar interrompendo o tempo todo. A palestra seguinte seria naquela mesma sala, com Octavio Aragão...

Na próxima parte, a ser publicada amanhã, falarei sobre a palestra de Octavio Aragão. Na terceira e última parte, a ser publicada na sexta-feira, a mesa sobre novos rumos da FC com Fábio Fernandes, Guilherme Kujawski, Jacques Barcia e Sérgio Kulpas. Até lá!

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Em Leituras
@ 1.7.08 15:51

Memes são um saco, essa é a real. Eles modificam o fluxo natural dos blogs e são modinhas como todas as outras. Mas, quando são nossos amigos com a modinha, então a gente releva e entra na brincadeira.

" - Eu queria tanto ser texano autêntico. Como não tive essa felicidade,"

Essa é a quinta linha da página 123 de "A Deliciosa e Sangrenta Aventura Latina de Jane Spitfire", de Augusto Boal, pela "Geração Editorial".

Publicado pela primeira vez no Pasquim, durante a contra-revolução ditadura militar, o livro é uma sátira ao gênero de espionagem (claramente, uma sátira ao estilo "James Bond" de espionagem). Ao mesmo tempo, é também um torpedo político: nos militares, nos Estados Unidos, na esquerda, na direita, no centro... nada resta após a passagem de Spitfire... ou melhor, de Boal.

A aventura é divertida; Boal não cai freqüentemente nos truques e piadas fáceis com a política e as ideologias; e você acaba torcendo para que Jane consiga as 5 fórmulas mágicas para a reconstrução nacional. Não é uma leitura essencial, mas é inteligente e atual.

O meme vai agora para o Marcelo no "Blog Secreto de Motocreisson", que vai me xingar por eras e eras por mandar meme sem ter publicado ainda a continuação da história dele. Vai sair, Marcelo, vai sair! A todos, boa leitura ;)

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