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Fernando S. Trevisan
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@ 4.7.07 05:39

Por Robert Ludlum
645 páginas, Editora Guanabara

Confesso que peguei o livro apenas por uma curiosidade tremenda sobre o tema, sem saber previamente que o autor escreveu os livros que originaram a série de filmes "A Identidade Bourne", "A Supremacia Bourne" e o ainda por sair "O Ultimato Bourne.

Neste calhamaço, temos três histórias entrelaçadas por um herói em comum. No primeiro livro, conhecemos o deputado estadunidense "Evan Kendrick", ex-empreiteiro no Oriente Médio e Golfo Pérsico, que perdeu todos os funcionários e suas respectivas famílias em um "acidente" ao inaugurar uma de suas obras.

A oportunidade para conhecer o deputado nos é oferecida por meio da contribuição dele à resolução de uma crise - uma embaixada estadunidense tomada em Oman por terroristas palestinos, aparentemente manipulados pelo mesmo adversário comercial que provocou o "acidente" que matou os amigos e funcionários de Evan.

A partir daí, desenrolam-se diversas tramas conectadas, com muita ação, mudanças de rumo inesperadas, teorias de conspiração, algum romantismo e sexo temperados com muito heroísmo patriótico - bem ao gosto de Hollywood. A discussão de temas árabes e da realidade no Oriente Médio é superficial, sempre colocando os EUA como uma liderança mundial em busca da paz e não da guerra.

Ao mesmo tempo, Ludlum inova um pouco ao apontar os EUA e forças dentro do governo como causadoras e colaboradoras de crises e de terroristas. Claro, o governo dos EUA está envolvido, mas são "forças internas", um "governo dentro de um governo" e por aí vai... sendo que o próprio presidente é apresentado como ignorante do que seus subalternos fazem e também um moralista que, ao descobrir, briga com todos.

O resultado final é uma trama bem pouco plausível, cheia de furos e que apresenta a CIA e os órgãos de segurança dos EUA como corruptos e incompetentes; porém, perdoando-se tudo isso, o livro é um page-turner, entretendo o leitor sem exigir muito de sua inteligência - aliás, é melhor deixá-la um pouco de lado ao ler "A Agenda Icarus".

Recomendado para um final de semana chuvoso e sem outras opções prévias.

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