Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2009
Arquivos (mês.ano)

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Leituras Web
Lendo
Na fila de leitura
Acompanho

Em Leituras
@ 31.3.08 04:11

A partir de:
www.forbes.com

A Forbes fez um especial sobre o "Tempo" (link acima), em suas diversas formas, com artigos bem interessantes que só consegui ler há pouco.

Uma nota: o link acima aponta para o índice de artigos, abaixo listo os artigos, minha mini-resenha e seus respectivos links... para a página de "impressão", mais leve de carregar e ler. Se souber inglês, aproveite!

Time's Sleight Of Hand

Por Brian Greene
www.forbes.com

Greene - um físico conhecido como um dos principais acadêmicos da "teoria das cordas", escritor de "O Universo Elegante" e "O Tecido do Cosmo" - escreve com simplicidade sobre o estado do nosso conhecimento atual sobre o tempo. Isto é: não sabemos, realmente como ele funciona.

Partindo de um histórico que é, basicamente, Einstein e utilizando analogias inteligentes e simples, Greene demonstra que avançamos pouco no conhecimento do tempo e que hoje supomos que ocorre mais ou menos como a temperatura em nosso corpo. Isto é, quando os átomos e moléculas estão se movendo rápido, sentimos calor; quando devagar, sentimos frio. Porém, não sabemos quais seriam essas "unidades" que operam o tempo e nem como manipulá-las e como elas afetam a experiência de tempo que temos.

Talvez, essa seja a grande sacada do artigo: o tempo é algo mensurável, mas é uma experiência ou, nas palavras do autor, um "fenômeno emergente". O artigo é curto e a leitura é simples, não confie apenas na minha interpretação do que li - vá lá e confira por si próprio. Vale a pena.

A Brief History Of Time Machines

Por David Toomey
www.forbes.com

Toomey não é famoso como Greene, porém seu artigo põe em perspectiva o eterno sonho - e eterno tema da literatura de ficção científica - de viajar no tempo. Partindo, novamente, de Einstein (é possível ter outro início, quando se fala no tempo, em termos de ciência?) o físico explica o interesse que surgiu quando Carl Sagan investigava como realmente poderia acontecer uma viagem no tempo para seu roteiro de filme/livro "Contato".

A teorização de Kip Thorne sobre os buracos de minhoca (ou verme - no inglês, "wormhole") a pedido de Sagan agitou a comunidade científica provocando uma avalanche de artigos e teorias sobre máquinas do tempo e viagens temporais. Lembro de ler muito sobre isso em revistas como a SuperInteressante, que ecoavam de forma simples e legível para seres humanos parte das teorias "da moda".

Toomey mostra como o interesse cresceu e decaiu, com a compreensão de que, sem a "Teoria Unificada da Física", qualquer teorização sobre viagens no tempo seria mera especulação, provavelmente inútil. Não que todos os cientistas concordem, porém a maioria está em busca de entender e unir as teorias de Einstein e da Mecânica Quântica. Momento no qual - tanto Toomey quanto Greene concordam - muito da mecânica do tempo será esclarecida.

The Price Of Time

Por Paul Maidment
www.forbes.com

Maidment faz uma avaliação histórica e funcional do valor do tempo. Note, valor não tem necessariamente a ver com preço e nem com dinheiro. Analisando o quanto o tempo sempre foi importante para a cultura humana - até ser objeto recorrente de livros de auto-ajuda, especialmente empresariais, nos dias de hoje - o texto segue verificando o quanto sobre ou subestimamos o tempo, finalizando com um chavão básico da auto-ajuda sentimental que é quase inescapável...

The Money Meter

Por David M. Ewalt & Blair Ellis
forbes.codefix.net

O "medidor de tempo" tenta dizer o quanto o seu tempo vale. Por ele, fiquei sabendo que meu tempo "vale" mais ou menos metade do que vale o de um trabalhador estadunidense comum. Espero que quando estiver trabalhando fora do país, isso mude um pouco!

A Cure For Chronocentrism

Por Tim Powers
www.forbes.com

Quando eu já pensava "ué, um especial sobre o tempo e nenhum artigo de um escritor de ficção científica?" eis que surge este divertido e despretensioso texto de Powers. Partindo do fato de ter nascido em um 29/fevereiro, o escritor desmonta nossa ligação tão cômoda com a "cronologia" em nossas vidas.

Peace Time

Por David A. Andelman
www.forbes.com

Adelman, editor-executivo da Forbes, analisa como o momento histórico e tecnológico do acordo de Versailles resultou em um tratado que até hoje dá dor de cabeça ao mundo, especialmente se comparado ao tratado que ainda hoje funciona para a Bósnia (Acordo de Dayton). Guardadas as proporções dos dois conflitos, Adelman verifica como o timing e a possibilidade de comunicações eficientes, rápidas e seguras nos dias de hoje acelerou a negociação e adoção de um tratado costurado de forma muito mais bem informada que o de Versailles. Um artigo interessante aos que se interessam por história e aos que esquecem o quanto a tecnologia evoluiu em coisa de apenas 100 anos.

The World's Oldest Working Clock

Por Parmy Olson
www.forbes.com

Falando sobre o relógio na catedral de Salisbury, conhecido como o relógio mecânico mais antigo do mundo ainda em funcionamento, Olson escreve um texto árido e chato, falando por alto de relógios de sol e água e descrevendo o funcionamento do relógio. Uma abordagem bem rasa de como o relógio pode ter afetado os paroquianos, quando de sua instalação, completa o texto mais decepcionante desta série.

Collections: Vintage Rolexes

Por Nicola Ruiz
www.forbes.com

Descrevendo o mercado de colecionadores de relógios - e seus valores, chegando a absurdos (para mim, ao menos) 250.000 USD - este texto, que tinha tudo para ser seco e chato, acaba sendo uma descoberta gostosa, com link para um web-site de aficionados e para uma galeria: By The Numbers: The World's Most Expensive Watches.

What Is Time?

Por Elisabeth Eaves
www.forbes.com

Passando por alto pelas questões filosóficas sobre "o que" é o tempo, Eaves tenta pintar um cenário com declarações tão diferentes quanto de religiosos e físicos, gurus de auto-ajuda e médicos, sobre o que é o tempo. O resultado é um mosaico interessante porém previsível. O artigo vale especialmente por seus links e pelo quadro In Their Own Words: 14 Experts On Time.

Is Time Just A Trick Of The Mind?

Por Lionel Laurent
www.forbes.com

Um debate interessante, mediado pelo autor, entre dois físicos que prevêem "destinos" diferentes para a nossa percepção de tempo. Embora ambos concordem que o tempo é, na realidade, apenas algo que existe na nossa percepção, Rovelli defende que uma xícara que cai e se quebra pode sim voltar para a mesa e reconstituir-se - isso só é muito improvável. Já Le Poidevin demonstra que o tempo pode não existir, mas existe uma relação de "causalidade" - batemos na xícara, ela cai e se quebra. O que "causaria" ela voltar para cima da mesa e se reconstituir?

O debate é frágil pois tudo que o sustenta são teorias, não comprovadas inclusive sob parâmetros matemáticos, quiçá práticos. Porém, novamente, a Teoria Unificada entre a Mecânica Quântica e a Relatividade pode decidir a parada - apenas não sabemos quando e nem como...

The End

Por Steve Almond
www.forbes.com

E, ainda bem, a coleção de artigos termina de forma extremamente bem humorada e divertida com este texto de Steve Almond!

Brincando com o "fim do tempo" em termos de cultura norte-americana, Almond refere-se ao relatório que declara que "O tempo acabou"... para "o aquecimento global", a "água", os "jornais diários" e o Shaquille O'Neal, entre outros. Boas referências e frases, três destaques:

"Federal officials concede that the new report is disturbing, but they are urging citizens not to panic. Or, if they must panic, to make it appear as if they are dancing."

"Jose Rivera, a mechanic from San Antonio, didn't see what all the fuss was about. 'Time is money, right? So just print more.'"

"Some religious leaders seized on the report as proof that the end days are near. Television minister Joel Osteen said he plans to rush to print a new book, Why God Wants You to Profit From the End of Time."

No geral, uma ótima coletânea de artigos, especialmente aqueles com foco científico e político.

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  Duna
Em Leituras
@ 15.2.08 18:03

A partir de:
www.estantevirtual.com.br

Por: Frank Herbert
Tradução de: Jorge Luiz Calife
Editora: Nova Fronteira, 1984, 3ª edição
615 páginas (672 considerando apêndices)

Atualização: Ivo Heinz avisa que a série do Scifi Channel não só passou no Brasil, como está disponível em DVD para compra.

Um clássico da literatura de ficção-científica (ou da fantasia científica), livro excelente e premiado, vergonhosamente ausente das livrarias brasileiras - o link logo abaixo do título desta resenha é para a Estante Virtual, web-site que reúne sebos e livrarias de usados de todo o país.

A história é forte e emocionante e se desenvolve principalmente em Arrakis (ou Duna), um planeta periférico e desértico, que só tem importância por ser a única fonte de uma substância conhecida como "a especiaria" ou "melange" que, além de retardar o envelhecimento e proteger contra venenos, teria ainda efeito sobre os dons de presciência e aumento de capacidades dedutivas/lógicas de quem a toma.

Conhecemos o planeta por meio de três "povos", por assim dizer, os Atreides e os Harkonnen, duas famílias em guerra dentro do grupo de "grandes casas", que servem de balanço a um domínio imperial, em uma cultura feudalista e os Fremen, habitantes do deserto. Marginalmente, existe "A Corporação", um grupo de humanos viciados em especiaria que controla as viagens espaciais - eles afirmam que a especiaria é que torna os cálculos possíveis.

Neste cenário, acompanhamos a ida dos Atreides para Arrakis para substituir a tirania dos Harkonnen (o livro, nesse sentido, é bastante dicotômico, ao menos na primeira metade). Mas não há engano: os Atreides caminham para uma armadilha, preparada pelo próprio Imperador. O enfoque político, religioso e ecológico não briga com os dramas humanos existentes na trama, ao contrário, dá credibilidade aos mesmos, dando força ao roteiro extremamente bem pensado, tornando o livro o best-seller que foi, muito premiado e inclusive convertido em filme com direção de David Lynch (Twin Peaks, Cidade dos Sonhos) - que, apesar de elogiado por diversos quesitos técnicos, foi considerado uma bomba em termos de roteiro adaptado, tanto por fãs como pela crítica de cinema. Uma série de TV foi produzida depois pelo Scifi Channel (que eu saiba, não chegou ao Brasil) e há boatos de que um novo filme ou série seria produzido.

Sob qualquer ponto de vista, o livro de Herbert merece ser lido. É uma história de tirar o fôlego, com considerações cuidadosas em temas delicados como a religião; a consciência ecológica e política/estratégica encontrada na obra ainda hoje é rara de se encontrar na literatura. Não se deixe assustar pela quantidade de páginas e nem pelas seqüências - o livro vale muito por si só.

A criticar, apenas a descrição econômica de batalhas e o final um pouco apressado, deixando com gosto de quero mais. Algumas situações/idéias podem soar clichê, mas o leitor deve entender que Duna foi escrito em 1965, isto é, ele inventou algumas coisas que hoje são clichê. As notas ao final do livro também poderiam ser distribuídas em notas de rodapé, simplificando a leitura e o acesso do leitor à informação.

A avaliação final é de que o livro é fantástico, inteligente e mais do que recomendado. Se encontrar em algum sebo, compre!

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Em Leituras
@ 13.2.08 07:15

A partir de:
www.lulu.com
"Antologia da nova literatura fantástica em língua portuguesa"
Por: diversos autores (João Ventura, Wolmyr Alcantara, Yves Robert, Octavio Aragão, Jorge Candeias, Gabriel Boz, Telmo Marçal, Carlos Orsi, João Ventura, Carlos Patati, Sofia Vilarigues, Maria Helena Bandeira, António Candeias e Carla Cristina Pereira)
Edição: Luís Filipe Silva
Organização e seleção: Jorge Candeias e Luís Filipe Silva
Impressão: Lulu
262 páginas (255 desconsiderando a introdução)

Acabamento: ótimo em princípio, um pouco menos durável (especialmente a capa) do que eu esperava (pelo preço). A ilustração da capa é fantástica, embora o título do livro fique um pouco "escondido". A impressão (via Lulu, uma gráfica sob demanda) deixa a desejar na capa e contra-capa (imagens "pixelizadas", por exemplo) mas compensa inteiramente no miolo, com um papel e impressão de qualidade.

Impressão geral: boa compra, a antologia reúne alguns contos muito bons, outros medianos e alguns ruins - como toda coletânea. Talvez fosse de esperar mais de uma "Antologia", ainda mais editada pelo Luís Filipe e pelo Candeias, já há muito conhecidos pela qualidade e perfeccionismo em seus empreendimentos. Não é algo que decepciona, mas preço vs. acabamento vs. conteúdo acaba fechando em uma conta não completamente positiva.

Vou analisar aqui o livro em termos gerais - com o tempo, disponibilizarei uma resenha para cada conto, com a exceção apenas do conto de Octavio Aragão, "Para tudo se acabar na quarta-feira", que será alvo de resenha em outra análise futura, acerca da Intempol (universo onde o conto se encaixa).

A introdução do Luís Filipe é um bom começo para o livro. Com um apanhado geral e resumido do cenário de literatura fantástica, mostrando que as dificuldades para publicar no gênero existem aqui e lá e apresentando o que é o projeto, de seu princípio, onde nota-se especialmente uma certa melancolia e negativismo na atitude portuguesa - que aliás espalha-se em fóruns e listas de discussão, bem menos ativas que as brasileiras.

O livro alterna contos de brasileiros com portugueses, criando um efeito inusitado e um tanto complicador para a leitura contínua. Por mais que seja interessante ler os contos em sua grafia original, isso acaba deixando a leitura um pouco mais pesada do que deveria ser, dadas as diferenças gramaticais - como bem lembra o editor na introdução.

O veredicto final da coletânea é positivo, embora o preço cobrado pela Lulu (incluindo o frete) seja um tanto caro, pensando no conjunto e na alternância de qualidade entre os contos, conforme já citei. Não diria que é um livro essencial para qualquer leitor, mas o fã de fantasia e ficção-científica pode comprar sem medo: é uma boa aquisição.

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@ 27.8.07 02:55

Os ilustradores:
Charles Vess
John Bolton
Mark Buckingham
James Jean
Mark Wheatley
Derek Kirk Kim
Tara McPherson
Esao Andrews
Brian Bolland
Jill Thompson
Por Bill Willingham (texto) e diversos (arte)
150 páginas aprox., 50 por edição, Editora Pixel Media/DC Comics (Vertigo)

Já falei de Fábulas na edição 3 da Pixel Magazine. Na primeira edição deste especial - que a Pixel pretensiosamente diz ser em três "volumes" - acompanhamos a saga da Branca de Neve, que abandona o refúgio criado pelas Fábulas em nosso mundo para alertar as fábulas árabes sobre o perigo do Adversário, aquele que matou diversas Fábulas e provocou a fuga das sobreviventes.

Aprisionada no castelo do Sultão, Neve só é levada à presença deste quando revolta-se e recusa a comida e os banhos. Então, jantando a sós com o Sultão, Neve se vê na mesma situação de Sherazade, tendo que entreter o Sultão com histórias para evitar sua morte.

Desta forma, começamos a saber mais do passado de Neve depois de seu casamento com o Príncipe Encantado, cujo reino erguia-se sobre o reino dos anões, que exploravam as minas subterrâneas para obter ouro e prata e negociar com os humanos na superfície. Um delicado equilíbrio garante que ambos os reinos não colidam, porém anões aparecem assassinados na superfície e o Príncipe se vê na difícil situação de solucionar os crimes ou enfrentar uma guerra sangrenta.

Ótima história, com as ilustrações também muito boas de Vess e Bolton, casando perfeitamente com o clima. O preço poderia ser um pouco menor dado que são apenas 48 páginas "reais", sendo que as capas internas são utilizadas para a história, em um resultado pouco profissional.

Os volumes seguintes apresentam histórias mais sortidas, algumas reveladoras do universo de Fábulas, outras mais generalistas, apontando para caminhos que o autor ainda pode tomar, como apresentar Fábulas do oriente, da África ou mesmo da América do Sul. A variação de ilustradores é interessante porém às vezes decepcionante, especialmente quando um ilustrador em especial agrada e o seguinte, nem tanto.

Fábulas tem ganho meu respeito a cada nova leitura que faço e, de repente, me vejo questionando se o título de "sucessor de Sandman" não é apropriado. O universo criado por Willingham é vasto, pode render histórias por anos, isso sem nem pensar na possível "vingança" das Fábulas contra O Adversário. O negócio é acompanhar os lançamentos e juntar dinheiro para comprar as caríssimas edições anteriores lançadas pela Devir.

Nota final: como eram muitos ilustradores, listo os nomes na coluna lateral, para quem quiser saber a informação completa.

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@ 18.7.07 22:00

Por Alan Moore, Paul Jenkins, Warren Ellis (texto) e J. H. Williams III, Sean Phillips, John Cassaday, Kevin Nowlan, Rick Veitch (arte)
98 páginas, Pixel Media/DC Comics (Vertigo)

A revista segue firme com histórias interessantes e apresentando séries importantes do selo Vertigo. Neste número, temos a estréia de Promethea, mais John Constantine e Planetary, além de duas histórias de Alan Moore por seu selo "ABC (America's Best Comics)".

Em Promethea, somos apresentados à personagem principal que é na realidade uma história, uma menina salva por seu pai e por deuses pagãos do genocídio promovido por fanáticos católicos. Levada ao mundo de Imatéria, Promethea pergunta aos deuses se poderá voltar ao nosso mundo - ao que respondem "Bem, às vezes, se uma história for muito especial, ela pode conquistar as pessoas. Veremos."

Já Sophie Bangs vive em um futuro um pouco distante, em meio a carros que voam, grupos de super-heróis "comportadinhos", policiamento ostensivo e gibis com nomes como "Gorila Chorão" ("*soluço* a vida moderna me faz sentir tão solitário!"). Pesquisando sobre Promethea para um trabalho final de escola, ela revive a heroína e inicia uma série de aventuras.

O sempre excelente texto de Moore com a nada convencional arte de Williams III garantem uma ótima história - o negócio é acompanhar para ver como será o desenrolar. Mas, pela fama da série lá fora, o material todo deve ser muito bom.

Na seqüência, mais uma boa história de John Constantine, embora cheia de referências que podem confundir os leitores que não conhecem bem o personagem. Nenhuma história tão boa quanto a de Ellis na edição anterior, porém intrigante para quem leu edições anteriores de Constantine.

Planetary dá prosseguimento ao mistério que circunda a série - e sua publicação aqui no Brasil. Afinal, será lançada em revista isolada ou continuará dentro da Pixel Magazine? A história é boa e a arte de Cassaday, como sempre, é fantástica. Mas nada se esclarece e essa indefinição quanto ao futuro da série é inquietante.

Por fim, temos duas historietas de Alan Moore bastante engraçadas e gostosas de ler, um bom fechamento, leve e irônico, para uma revista com histórias mais "pesadas" como Constantine e Planetary.

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@ 12.7.07 23:23

Por Neil Gaiman
436 páginas, Conrad Editora

Neil Gaiman é um autor que a gente não deveria ter que apresentar, mas é recorrente encontrar pessoas que jamais ouviram falar deste inglês genial. Gaiman é responsável pela revitalização e reinvenção de um título de quadrinhos chamado Sandman, criando uma história premiadíssima, que o alçou ao "estrelato" dos quadrinhos. Já há algum tempo Gaiman vem trabalhando com os livros e neste Deuses Americanos podemos ver que ele não perde nada na passagem de HQ para livro.

Atualizando e navegando por diversas mitologias, Gaiman cria uma guerra entre os antigos deuses e os novos - deuses da mídia, dos automóveis, dos aviões - enquanto acompanhamos a busca de um homem chamado Shadow.

Durante suas andanças em busca da verdade sobre quem é e no que está metido, Shadow é acompanhando por sua mulher - ressuscitada temporariamente dos mortos - e um homem misterioso chamado Wednesday, que busca aliados entre os deuses antigos para a guerra que virá.

O leitor é apresentado a diversas divindades e aos seus destinos no mundo moderno, como sobrevivem mesmo praticamente esquecidas e certamente não mais reverenciadas. Os personagens, situações e cenários são excelentes e Gaiman conduz a trama de forma hábil - embora em alguns momentos um pouco cansativa - para um final surpreendente.

Um livro que reflete sobre como nosso mundo tem mudado de forma demasiado rápida e sobre tudo que deixamos para trás no meio dessas mudanças todas, incluindo nossa identidade e nossas esperanças. Recomendado.

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@ 10.7.07 06:10

Por Ed Brubaker, Greg Rucka (textos) e Michael Lark, Brian Hurtt, Greg Scott, Stefano Gaudiano, Jason Alexander (arte)
700 páginas aprox., Editora DC Comics/Panini Comics

O título desta resenha poderia muito bem ser "Law And Order: Gotham City". A série de quadrinhos ambientada no "universo" de Batman é uma autêntica série policial, com duas "pequenas" diferenças: 1. maior uso de palavrões e 2. existem "aberrações" no cenário, como o próprio Batman, Coringa, Duas Caras, etc.

A série enfoca a vida dos detetives que trabalham na polícia de Gotham. Batman "em pessoa" é um personagem secundário, que aparece pouco nas páginas da HQ. Porém sua presença, sua sombra é fonte de medo, frustração e reações extremadas por parte dos policiais. O novo comissário, além de estar "sob" Batman, ainda enfrenta o desafio de substituir James Gordon, agora aposentado e um herói reconhecido da cidade.

Premiadíssima, a série faz por merecer seu reconhecimento, trazendo personagens humanos, críveis, em um universo ficcional saturado de fantasias, justiceiros, super-vilões e semelhantes. Pelas mais de 700 páginas (até agora) desfilam dramas de morte, medo, desejo e superação, fracasso e desistência.

A série é publicada dentro da "DC Especial", uma série regular que publica histórias paralelas de personagens do universo DC. O primeiro número saiu em março de 2005, o que significa que não é tão fácil de se obter, mas vale tanto a busca quanto o investimento. Recomendado a qualquer fã de histórias policiais, telespectadores de Law And Order e até mesmo aos fãs "normais" do homem-morcego. Fico só me perguntando quando é que alguém vai ter a inteligência de produzir uma série para TV adaptando estes roteiros...

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@ 05:40

Por Grant Morrison (texto) e Frank Quitely (arte)
88 páginas aprox. (24 por edição), Editora DC Comics/Panini Comics

Recomendação do amigo Marcelo Galvão, confesso que jamais compraria por iniciativa própria. Primeiro que Superman não é meu personagem favorito, segundo por desconfiar dessas séries com títulos pomposos.

Porém, seria um desperdício deixar passar o excelente roteiro de Grant Morrison e a arte limpa, meio européia e com influências de Moebius, de Quitely. A série abre com a morte anunciada de Superman, em uma trama muito bem pensada por Lex Luthor (claro).

Somos apresentados a cientistas que buscam colher amostras solares e viajam entre dimensões, enquanto Superman tenta lidar com seus "novos poderes" e o recente anúncio de que não é mais imortal.

A série nestes 4 números desenvolve-se bem - nas bancas, já está no número 7, mas não consegui achar o 5º ainda - e estou curioso para ver o que Morrison fará com esse Super, mortal e cheio de poderes estranhos. É continuar a ler para saber, comentarei em novas resenhas aqui...

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@ 6.7.07 12:45
Por vários autores/artistas
96 páginas, aproximadamente, Editora Pixel Media

A Pixel Magazine - revista de "apresentação" (ou revista "balão de ensaio") dos títulos de que a Pixel dispõe de direitos para publicação - firma-se como uma revista agradável, interessante e variada.

Neste número, temos uma apresentação convincente de "Fábulas", série premiadíssima lá nos EUA, que chegou a ser comparada com o Sandman, de Neil Gaiman - exagero, em minha humilde opinião.

Apesar de não ser tão genial quanto Sandman, a história nesta edição é uma excelente e inspiradora leitura. A revista continua com uma história curta de John Constantine, escrita por Warren Ellis, de horror psicológico, um dos pontos altos de Ellis.

Na seqüência, uma história de Planetary, que não explica nada e apenas atiça a curiosidade para a série. Aliás, esse foi um dos pontos baixos da edição, embora a história em si seja boa, ela é claramente um ponto de ligação entre histórias e não "fecha", ao contrário da história de Fábulas e de Constantine, fugindo ao propósito declarado da revista.

Por fim, temos uma história curta e ingenuamente divertida de Cobweb, por Alan Moore e sua agora esposa Melinda Gebbie, seguida de uma matéria tergiversando sobre os futuros lançamentos da Pixel. Resultado final: a Pixel Magazine continua na minha "lista de compras" de HQs mensais.

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@ 5.7.07 12:10

Por Alfredo Castelli (texto) e Lucio Filippucci (arte)
50 páginas (aprox.), Editora SAF Comics/Mythos Editora

Mystère teria sido um personagem criado por Paul Deleutre (sob o pseudônimo de Paul D'Ivoi) que teria conhecimentos exóticos e viveria fantásticas aventuras em todo o mundo ao lado de seu jovem e desastrado assistente Cigale.

Os quadrinhos extrapolam o conceito, reaproveitando - e satirizando - clichês da literatura de aventura fantástica. A narrativa irônica de Castelli em perfeita fusão com a arte "ingênua" de Filipucci ajudam ao efeito cômico e aventuresco.

Nos dois volumes lançados até o momento, vemos repetidas vezes Cigale amparar - em momentos de perigo - as madames e senhoritas que requisitam os serviços do famoso detetive, não sem deixar de apalpar seus seios ou olhar suas roupas íntimas. A série satiriza de Sherlock Holmes e Peter Pan até Star Wars e Jornada nas Estrelas, passando por H. G. Wells e E. T. A. Hoffman - e isso apenas em dois volumes!

A edição bem cuidada graficamente pela Mythos apenas adiciona valor a esta HQ, minha única "crítica" sendo o valor final, que poderia ser reduzido em 2 ou 3 reais, certamente ampliando o público potencial. Um fator extremamente positivo é o conceito de publicar uma história completa por edição, mesmo havendo alguma continuidade.

No volume 1 vemos o detetive e seu ajudante chegarem a Madri em seu "hotel elétrico" para ajudar uma dama cujo marido, construtor de um metrô subterrâneo "ecológico", desapareceu. Na investigação, Mystère enfrenta seu arquiinimigo, que manipula e ajuda um grupo de chineses a ressuscitar um dragão que dormiria sob a cidade.

No volume 2, Mystère e Cigale embarcam na primeira viagem tripulada para a lua, onde descobrem... que a lua é habitada e freqüentada, já, por seres humanos! Mystère tem o dissabor de saber que seu arquiinimigo não morreu, mas encontra-se na lua aliado aos habitantes da "face escondida" do satélite no planejamento de uma invasão à Terra.

Diversão garantida, sem compromisso e nem profundidade, com muita ironia.

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@ 4.7.07 05:40

Por Jorge Luis Borges
103 páginas (85 aprox., na realidade), Editora Globo

Essencial.

Um livro tão cheio de trechos "citáveis" que não dá para anotar e citar tudo aqui, senão incorro em quebra de direito autoral.

Temos neste livro um Borges jornalístico, descrevendo horrores e infâmias mundo afora, requentando histórias alheias porém em um estilo muito próprio, frio, incisivo.

As 15 páginas (aprox.) "perdidas" com prefácios e prólogos são essenciais para bem degustar a obra, situando-a historicamente e recuperando algumas (mas não todas) das muitas referências.

De um falso "redentor" que enganava escravos negros nos EUA, acenando com a liberdade mas apenas enganando e lucrando, até um duplo de Maomé, que recebe os muçulmanos no céu, passando por "Billy The Kid", uma história de uma pirata chinesa e outras pérolas.

Como coloquei na abertura da resenha, esta edição bem-cuidada da Editora Globo é essencial. A capa trabalhada sobre arte de Will Eisner e a qualidade gráfica da obra são um adendo necessário para a qualidade do texto de Borges.

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@ 05:39

Por Robert Ludlum
645 páginas, Editora Guanabara

Confesso que peguei o livro apenas por uma curiosidade tremenda sobre o tema, sem saber previamente que o autor escreveu os livros que originaram a série de filmes "A Identidade Bourne", "A Supremacia Bourne" e o ainda por sair "O Ultimato Bourne.

Neste calhamaço, temos três histórias entrelaçadas por um herói em comum. No primeiro livro, conhecemos o deputado estadunidense "Evan Kendrick", ex-empreiteiro no Oriente Médio e Golfo Pérsico, que perdeu todos os funcionários e suas respectivas famílias em um "acidente" ao inaugurar uma de suas obras.

A oportunidade para conhecer o deputado nos é oferecida por meio da contribuição dele à resolução de uma crise - uma embaixada estadunidense tomada em Oman por terroristas palestinos, aparentemente manipulados pelo mesmo adversário comercial que provocou o "acidente" que matou os amigos e funcionários de Evan.

A partir daí, desenrolam-se diversas tramas conectadas, com muita ação, mudanças de rumo inesperadas, teorias de conspiração, algum romantismo e sexo temperados com muito heroísmo patriótico - bem ao gosto de Hollywood. A discussão de temas árabes e da realidade no Oriente Médio é superficial, sempre colocando os EUA como uma liderança mundial em busca da paz e não da guerra.

Ao mesmo tempo, Ludlum inova um pouco ao apontar os EUA e forças dentro do governo como causadoras e colaboradoras de crises e de terroristas. Claro, o governo dos EUA está envolvido, mas são "forças internas", um "governo dentro de um governo" e por aí vai... sendo que o próprio presidente é apresentado como ignorante do que seus subalternos fazem e também um moralista que, ao descobrir, briga com todos.

O resultado final é uma trama bem pouco plausível, cheia de furos e que apresenta a CIA e os órgãos de segurança dos EUA como corruptos e incompetentes; porém, perdoando-se tudo isso, o livro é um page-turner, entretendo o leitor sem exigir muito de sua inteligência - aliás, é melhor deixá-la um pouco de lado ao ler "A Agenda Icarus".

Recomendado para um final de semana chuvoso e sem outras opções prévias.

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@ 27.6.07 22:35

Tenho um arquivo aqui com algumas citações interessantes de leituras antigas, resolvi publicar para "me livrar" dele. Duas são de "Paraísos Artificiais", fantástico livro de Charles Baudelaire, em português.

Outras duas vêm da Paris Review "The Art Of Fiction", nº 36, que contém uma entrevista concedida por William S. Burroughs. Por fim, há uma citação de um blog, todas essas três em inglês.

"'(...)E tu', dirigindo-se para a Mater Tenebrarum¹, 'recebe-o dela por tua vez. Faze que o teu cetro seja pesado sobre a sua cabeça. Não consintas que uma mulher, com a sua ternura, venha sentar-se junto dele na sua noite. Expulsa todas as fraquezas da esperança, seca os bálsamos do amor, queima a fonte das lágrimas; amaldiçoa-o como só tu sabes amaldiçoar. Assim será tornado perfeito na fornalha; assim verá as coisas que não deveriam ser vistas, os espetáculos abomináveis e os segredos que são indizíveis. Assim lerá as terríveis verdades, as tristes verdades, as grandes, terríveis verdades. Assim ressuscitará antes de ser morto. E a nossa missão que recebemos de Deus será cumprida, e que é atormentar o seu coração até que tenhamos desenvolvido as faculdades do seu espírito.'(...)"
¹ "Nossa Senhora das Trevas", em um mix delicioso de paganismo e catolicismo.
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 145]

"(...)Profundas alegrias do vinho, quem vos não conheceu?(...) Como são grandes os espetáculos do vinho, iluminados pelo sol interior! Como é verdadeira e ardente esta segunda juventude que o homem vai buscar dentro de si! Mas quão temíveis são também as suas volúpias fulminantes e os seus feitiços enervantes!(...)"
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 166]



"(...)I think it`s the evolutionary trend. I think that words are an around-the-world, oxcart way of doing things, awkward instruments, and they will be laid aside eventually, probably sooner than we think. This is something that will happen in the space age. Most serious writers refuse to make themselves available to the things that technology is doing. I`ve never been able to understand this sort of fear. Many of them are afraid of tape recorders and the idea of using any mechanical means for literaly purposes seems to them some sort of sacrilege. This is one objection to the cut-ups. There`s been a lot of that, a sort of a superstitious reverence for the word. My God, they say, you can`t cut up these words. Why can`t I? I find it much easier to get interest in the cut-ups from people who are not writers - doctors, lawyers, or engineers, any open-minded, fairly intelligent person - than from those who are.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 12]

"(...)Most people don't see what's going on around them. That's my principal message to writers: for God's sake, keep you eyes open. Notice what's going on around you.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 15]

O PDF da entrevista completa pode ser encontrado no site da Paris Review.



"(...)they advise people to have 'strong opinions, which are weakly held.' They've been giving this advice for years, and I understand that it was first developed by Institute Director Paul Saffo. Bob explained that weak opinions are problematic because people aren?t inspired to develop the best arguments possible for them, or to put forth the energy required to test them. Bob explained that it was just as important, however, to not be too attached to what you believe because, otherwise, it undermines your ability to 'see' and 'hear' evidence that clashes with your opinions. This is what psychologists sometimes call the problem of 'confirmation bias.'(...)"
Bob Sutton's Work Matters Blog [lido em 6/1/07]

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@ 23.6.07 18:00

Por James Redfield
289 páginas, Editora Objetiva

Existem duas maneiras de ler este livro. A primeira - e certamente foi a intenção do autor, pois ele declara isso na nota de abertura - é como uma história espiritual, que visa aumentar nos leitores seu envolvimento com um mundo cada vez mais espiritualizado, enxergando nas coincidências da vida fatos maiores que escapam ao alcance do não-espiritualizado.

Outra forma é ler como um romance fantástico, em dias atuais, onde as coincidências vão além do que realmente são, onde a intuição te leva ao caminho certo, mesmo que não pareça a princípio e onde as plantas e pessoas têm auras que indicam sua energia, entre outras coisas.

Em minha primeira leitura - e já se vão uns 5 anos, foi lá por 2002 - eu estava em uma fase de busca espiritual, tinha acabado de mudar de um estado para outro, saído da casa dos meus pais, enfim...

Muito do que o livro fala encontra eco no dia-a-dia. A idéia de pessoas que "sugam" tua energia, os perfis de questionador, coitadinho-de-mim, etc são bem próximos da realidade. Algumas coisas vão bem além e exigem crença, coisa que ainda hoje não consigo encontrar "por si".

O livro, como aventura, é um autêntico "page turner", exceto quando entra demais nas questões da profecia, em explicações. Mas isso não acontece tanto e a ação é constante, com o personagem principal tentando sobreviver enquanto aprende sobre a profecia e busca um novo e - aparentemente - último fragmento. Uma leitura interessante, mas não essencial, a não ser que você tenha essa crença que eu não consigo ter.

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@ 16:26

Veja Também:
Notas de Leitura
Por Virginia Woolf (tradução de Cecília Meireles)
180 páginas, Editora Nova Fronteira

Como escrevi antes, Woolf foi uma grande escritora. Sua prosa é rica e cínica, com diversas passagens memoráveis. A tradução de Cecília Meireles é excelente e vai além da mera transcrição de palavras, como faz o bom tradutor.

Orlando é a "biografia" deste personagem fictício de que Woolf se utiliza para veicular seu romance com tons de fantasia e crítica social. O tempo é utilizado de forma imprecisa - Orlando nasceu no século XVI, a história termina nos primeiros anos do século XX.

Nas primeiras páginas, dada a virtuosidade e crescente velocidade da narrativa, tentamos nos apegar a Orlando como fio condutor, um constante que permite nos situarmos na narrativa. Mas Woolf quebra e muda Orlando - mesmo mantendo-o o mesmo, de certa forma - e faz com que toda certeza, toda afirmação seja vã. Nada é constante, é como um longo sonho - em momentos, pesadelo - de que não acordamos, senão com o apagar das luzes.

O romance navega pela literatura e pela personalidade dos escritores, o papel da mulher e do homem na sociedade, as mudanças enfrentadas nos séculos passados - que devem ter parecido à autora mudanças velozes, dada a forma como cita os livros impressos, os aviões, os automóveis - pela psicologia de seu personagem principal e usa-o sem dó para demonstrar os pontos de vista da autora - que jamais ficam claros, sendo mais um convite para reflexão que uma defesa de valores e ideais.

Certamente um tanto auto-biográfico - Orlando é um escritor, durante todo o livro -, instigante, embora enfadonho em algumas passagens mais rebuscadas ou mesmo satíricas, é um livro virtuoso e excelente leitura. Recomendado. Cito aqui mais alguns trechos que me impressionaram ou pelo conteúdo ou pela forma:

"(...)'Diabo leve as mulheres!', disse Orlando para si mesma, dirigindo-se ao armário para servir um copo de vinho, 'nunca deixam uma criatura em paz. Não existe gente mais bisbilhoteira, mais curiosa, mais intrometida que essa.(...)"
Pág. 99

"(...)Orlando já sabia, pela sua própria experiência de homem, que os homens choram tão freqüentemente e tão sem razão quanto as mulheres; começava, porém, a perceber que as mulheres se escandalizam quando os homens manifestam sua emoção diante delas.(...)"
Pág. 100

"(...)Um homem que pode destruir ilusões é, ao mesmo tempo, fera e dilúvio. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Retirai esse brando ar e a planta morre, a cor empalidece. A terra por onde caminhamos é um ardente rescaldo. É marga o que pisamos, e seixos de fogo queimam nossos pés. Somos desfeitos pela verdade. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos rouba os sonhos rouba-nos a vida.(...)"
Pág. 113

"(...)'É igualmente inútil', pensava ela, 'sonhares que me podes proteger, ou pensar que te posso adorar. A luz da verdade bate em nós sem uma sombra, e a luz da verdade nos assenta horrivelmente mal.(...)"
Pág. 115

"(...)'As mulheres são apenas crianças grandes... Um homem inteligente apenas se diverte com elas, brinca com elas, agrada-as e adula-as'.(...)"
Pág. 119

"(...)coisas que, fora do seu lugar, não têm encanto, mas no lugar próprio são positivamente de uma beleza deslumbrante. Pois, por uma sábia economia da natureza, nosso espírito moderno quase pode dispensar a linguagem; as expressões mais comuns bastam, desde que nenhuma expressão basta; por isso, a mais banal conversação é muitas vezes a mais poética.(...)"
Pág. 142

"(...)Todos aqueles anos pensara na literatura... ...como alguma coisa selvagem como o vento, ardente como o fogo, rápida como o raio; uma coisa errante, incalculável, insólita, e eis que a literatura era um senhor de idade, vestido de cinzento e falando de duquesas.(...)"
Pág. 157

"(...)a idéia de de que não são os artigos de Nick Greene sobre John Donne nem leis de oito horas nem convênios nem legislações fabris que têm importância, mas uma coisa inútil, súbita, violenta; uma coisa que custa a vida; encarnada, azul, púrpura; um jorro, um respingo; como aqueles jacintos... ...um barco de brinquedo no Serpentine, êxtase - êxtase, isso sim, é que importa.(...)"
Pág. 162

"(...)a literatura, depois de comer todos esses jantares, ficava muito corpulenta; em seguida... ...que a literatura, ouvindo todas essas conferências, ficaria muito seca; depois... ...que a literatura, usando todas essas estolas de pele, iria ficando muito respeitável; depois... ...que se o gênio necessita de todo esse mimo, vai ficando muito delicado.(...)"
Pág. 163

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@ 15:58

Por Grant Morrison (texto) e vários (arte)
Aprox. 100 páginas, Editora Panini Comics/DC Comics

A série firma-se agora como um trabalho autoral de Morrison de extrema qualidade e cheio de auto-referências reveladoras da trama que apenas aponta nas histórias. Neste número, acompanhamos mais uma aventura de Zatanna, outra de Klarion, do Guardião e do Cavaleiro Andante.

Klarion firma-se como meu personagem preferido até o momento - emergindo de sua cidade isolada, onde vivia com seus pais e parentes bruxos e "puristas" -, Klarion quer conhecer a "abóboda azulada", isto é, nosso mundo.

Aqui inicia um cruzamento de informações interessantes entre os personagens, pois Klarion interage com criaturas do submundo de Nova Iorque que já haviam aparecido ou citadas anteriormente na história do Guardião.

Há toda uma mitologia urbana que envolve o metrô e o subterrâneo de Nova Iorque - como pode ser visto, só para citar um exemplo, no filme "Os Caça-Fantasmas" - e ver essa mitologia tão bem mesclada com esses personagens estranhos que Morrison traz à tona é intrigante.

Zatanna continua interessante, mas a aprendiz Misty está cada vez mais roubando a cena e a aparição de um personagem mais "clássico, famoso e bem-sucedido" trouxe um interesse renovado à história.

Por fim, o Guardião finalmente descobre quem é seu contratante, enquanto sua vida desmorona aos poucos: sua namorada o abandona, ele e o jornal são ameaçados de processo e ele resolve desistir da carreira de herói, por considerar-se um fracasso.

Uma ótima edição, que continua a amarrar as pontas soltas mas deixando ainda mistérios suficientes para prender o interesse do leitor. E uma revelação interessante: na abertura, logo na contra-capa, o texto diz: "(...)Juntos, mesmo sem interagir entre si(...)". Estou ansioso pelo restante da série.

ATUALIZAÇÃO: esquecer de falar do Cavaleiro Andante apenas revela o quanto a aventura da edição atual me deixou desgostoso com o personagem. Entregando-se à polícia, o Cavaleiro tenta avisar o "tempo atual" sobre o perigo que enfrenta, porém ninguém acredita, é claro.

Não temos muitas novidades sobre o que aconteceu com seu cavalo alado - apenas citações de outros personagens - e revela-se um pouco mais sobre os objetivos dos Sheeda. Esta história do Cavaleiro é apenas um meandro, com muitas explicações mas poucos acontecimentos e, talvez por isso, a minha decepção. Mas, as conseqüências desta história serão importantes e, ao que tudo indica, o único realmente alerta do que está ocorrendo é o Cavaleiro... como coloquei antes, estou ansioso pelo restante da série :)

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@ 02:42

Por Bruce Jones (texto) e Ariel Olivetti (arte)
111 páginas, Editora Panini Comics/DC Comics

O primeiro arco de histórias (nº 1 e 2) desta nova publicação da Editora Panini Comics foi um pouco fraco. A idéia é revisitar histórias clássicas do homem-morcego, trazendo o lado mais "detetive" de Batman, ao invés do lado super-herói.

Já neste nº 3, o resultando é um "page turner" de tirar o fôlego. A trama gira em torno de um seqüestro e um desaparecimento misteriosos em uma noite de blecaute em Gotham City, com Wayne envolvido amorosamente com a irmã de uma das vítimas.

Tomado de dúvidas sobre sua missão, Batman segue as migalhas de pistas que tem e que o levam, cada vez mais, a becos sem saída - informantes que sumiram, um velho inimigo aparentemente aposentado do crime, o corrupto dono de uma casa de shows (ou "inferninho")... a cada passo, Batman percebe que sim, algo está acontecendo e sim, todos eles sabem o que é... menos ele.

O final não foi a melhor coisa da edição, embora não tenha estragado o desenvolvimento primoroso e quase psicológico da história. Sem dúvida, a revista vale a pena de comprar e ótima arte apenas ajuda a compor o quadro sombrio que é a alma torturada de Wayne, em sua cidade sem esperança...

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@ 19.6.07 23:04

por Virginia Woolf, tradução de Cecília Meireles

Woolf foi realmente uma grande escritora - tendo Cecília Meireles como tradutora, tudo fica ainda melhor. O livro vem em um crescendo, utilizando cada página e cada fase do personagem como marcadores e indicadores de para onde o livro caminha.

Há algum exagero em algumas partes, um excesso de lirismo, talvez, mas até o momento a leitura não é pesada, nem deixa de ser instigante saber para onde é que vai o tal Orlando em suas desventuras.

O livro tem um pé na literatura fantástica (ou de fantasia) e outro na psicologia de seus personagens - não me admira que ela fosse leitora voraz dos russos. Todos os personagens estão nús: sob a lente de Virginia, ninguém tem segredos ou, antes, apenas os segredos que ela mesma não quer revelar, que deixa acontecer conforme o momento.

Por fim, algumas frases/passagens excelentes, que eu gostaria de marcar para relembrar:

"(...)A quem havia amado, que havia amado até ali? perguntava a si mesmo, num tumulto de emoção. E respondia: uma velha, que era só pele e ossos. Inúmeras rameiras de faces pintadas. Uma gemedora monja. Uma aventureira implacável, de lábios cruéis. Uma sonolenta massa de renda e etiqueta. O amor não tinha sido para ele mais do que serradura e cinzas. AS alegrias que lhe havia oferecido eram extremamente insípidas. Espantava-se de o ter podido suportar sem bocejos.(...)"
Pág. 22

"(...)Aqui viveram, por mais séculos do que posso contar, as obscuras gerações da minha própria obscura família. Nenhum desses Ricardos, Joões, Anas, Elisabetes, deixou atrás de si um testemunho individual, embora todos, trabalhando juntos, com suas pás e suas agulhas, seus amores e suas maternidades, tenham deixado isto.(...)"
Pág. 58

"(...)Qual o êxtase maior? O da mulher, ou o do homem? Não serão talvez o mesmo? Não, pensava, este é o mais delicioso (agradecendo ao capitão e recusando); recusar e vê-lo entristecer. Bem, aceitaria, se ele o desejava, um pedacinho pequenino, o menorzinho possível. Isto era a coisa mais deliciosa: ceder e vê-lo sorrir. 'Pois nada', pensava, voltando ao seu lugar no convés, e prosseguindo seu raciocínio, ' é mais divino do que resistir e ceder, ceder e resistir'(...)"
Pág. 86

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@ 18.6.07 02:37

Por Philip K. Dick
300 páginas, Editora Aleph

Intenso, assustador e surpreendente. A literatura de Dick muitas vezes evoca estes adjetivos, mas não é sempre que eles aparecem em conjunto. Neste livro, Dick apresenta uma história alternativa sobre nosso mundo: o que aconteceria se os aliados perdessem a II Guerra Mundial contra o eixo?

Em um mundo dividido entre os metódicos e - para os ocidentais - incompreensíveis japoneses e os racistas expansionistas alemães, personagens improváveis como um judeu e sua ex-mulher; um comerciante de "antigüidades" norte-americanas; um executivo japonês e um misterioso escritor têm suas vidas entrelaçadas em fatos que vão além de seu alcance ou mesmo de suas ambições.

Além de apresentar o mundo nesta realidade alternativa, Dick também explora preconceitos e orgulhos dos estadunidenses, visões de um mundo mais avançado cientificamente porém ainda desequilibrado em termos de poder. A Ásia e o Oriente Médio, que em nossa realidade sempre foram importantes em termos de balanço do poder mundial, são áreas meio "apagadas do mapa" no livro de Dick.

O foco nos EUA e nas culturas germânicas e nipônicas dá força ao livro, que poderia tornar-se cansativo ou mesmo "escolar", se seguisse por outra linha. Ao invés, Dick leva o leitor por uma trama envolvente, buscando a solução do mistério por trás de um livro que fala... sobre como seria o mundo se os nazistas não ganhassem a guerra.

Há também a curiosa influência do I Ching, que é originalmente chinês, mas que permeia o universo nipônico imaginado por Dick e tem parte decisiva no desenvolvimento da história. Um livro que joga com questionamentos sobre a realidade e o papel que desempenhamos com nossas ações, da importância delas para o mundo.

Leitura mais que recomendada, sendo este um clássico da história alternativa e da ficção científica.

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@ 01:48

Por Grant Morrison (texto) e vários artistas
Aprox. 100 páginas por edição (200 páginas até agora), Editora Panini Comics/DC Comics

Que Morrison é louco, isso é de conhecimento geral de quem curte quadrinhos. Agora, 7 Soldados da Vitória é um "tour de force" de loucura, jogando a criação de um grupo de heróis "fracassados" (tanto em vendas quanto nos quadrinhos) em histórias separadas, que vão lentamente (até o momento) se entrelaçando.

A primeira edição é bastante confusa, com a tentativa inicial de criação de um grupo e subseqüente dispersão do mesmo. A segunda edição começa a dar linha para algumas das idéias iniciais, gerando curiosidade e interesse pelo restante da história e fazendo valer o investimento.

Os personagens mais interessantes até o momento são Zatanna - que já era interessante quando participou de "Livros da Magia", entre outros - e Misty, sua aprendiz; o Cavaleiro Andante e Klarion, o menino-bruxo. O submundo no universo do "Guardião" é interessante, também, mas algo ainda a avaliar.

Vai ser interessante ver o que Morrison faz com essa salada de personagens, estilos e histórias e como tudo isso vai se integrar em uma série só.

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@ 01:29

Por Orson Scott Card (texto) e Andy Kubert (arte)
Aprox. 120 páginas, Editora Panini Comics/Marvel

Li opiniões extremadas sobre esta série - uns acharam instigante, outros, lixo ilegível. A verdade é que: 1. é pouco espaço para muita história; 2. é muita pirotecnia para explicar algo razoavelmente simples (e um moralismo que só o Card poderia ter, para explicar o alcoolismo de Tony Stark); 3. é o segredo mais mal guardado da história dos quadrinhos!

Há uma série de potencialidades que, com mais espaço e um tratamento mais sutil, poderiam dar um resultado excelente. Mas a arte do Andy Kubert, comercial apenas, não ajuda na empreitada e o resultado é mediano. Para completar, na edição 2 eles finalizam com... "continua em Homem de Ferro Millenium 2!"

Das duas uma, ou estão tratando o leitor como idiota, anunciando uma série em 2 edições e depois prolongando-a artificialmente por criar um "volume" 1 e 2; ou o erro foi tão grosseiro que denota pressa, incompetência e falta de cuidado com o trabalho. Não sei o que é pior. Resultado final? Economize seu dinheiro...

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@ 01:11

Por vários autores
90 páginas, Editora Pixel

A Pixel Magazine é como uma revista de "apresentação", reunindo histórias "fechadas" e isoladas de diversos universos publicados pela editora.

Nesta edição, uma história bastante original com John Constantine, uma história interessante com o nem sempre bom "Sandman original" (Weasley Dodds, que usa uma máscara e usa um gás do sono para prender bandidos), uma história forte e intrigante de "Planetary", da dupla Ellis & Cassaday, com o adendo ótimo do maluco Grant Morrison e seus Invisíveis, além de duas histórias curtas no "universo" criado por Neil Gaiman, no sonhar, uma com Morte e outra com Nuala, a ex-amante do ex-Lorde Moldador...

Tudo muito confuso? Muitos nomes? Vale a pena correr nas bancas, que até sexta ainda tinham esta edição da PM, e comprar - você leva algumas horas de diversão das boas, sem ter que ler zilhões de quadrinhos depois para situar-se na "cronologia".

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@ 17.6.07 23:26

Por Christopher Moeller (texto e arte)
120 páginas, Editora DC Comics

Com um roteiro interessante e arte "aquarelada" (?) boa, fora do padrão dos quadrinhos normais, a aventura centra-se na Mulher-Maravilha. Em uma visita à Ilha Themyscira, lar das amazonas, ela descobre uma profecia sobre a sua morte... e de toda a Liga da Justiça, por obra de uma rainha-dragão que está sendo revivida.

Decidida a salvar a Liga e matar a rainha-dragão sozinha, a Mulher-Maravilha mente e derruba um a um de seus companheiros. Uma boa briga com a Rainha-Dragão e seus súditos, seguidos por um final previsível, tornam essa HQ uma leitura interessante, mas nada essencial. A boa arte de Moeller vale a pena, também, mas sozinha não salva o roteiro previsível.

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@ 23:23

Por Judd Winick (texto) e Dale Eaglesham (arte)
45 páginas, Editora DC Comics

História interessante - arte mediana - com o novo Lanterna Verde (sucessor de Hal Jordan), Kyle. Naquilo que ele pensa que serão férias (óbvio que algo acontece), ele viaja para um distante planeta chamado Tendax, para servir como embaixador em uma cerimônia importante - o acordo definitivo de paz entre duas facções daquele planeta que passaram muito tempo em guerra.

Após alguns dias de descanso e paz, Kyle e sua namorada participam da cerimônia, com cenas grandiosas de alegria popular. Kyle descreve assim: "Parece uma mistura de casamento real com vitória eleitoral. É como um carnaval com aliens, música de primeira". Mas um atentado terrorista que mata 43 crianças põe fim tanto à festa como ao tratado de paz, mergulhando o planeta em uma guerra que Kyle e sua namorada vão tentar evitar.

O final é algo surpreendente para um quadrinho de heróis e é impossível não fazer paralelos com situações infelizmente cotidianas em nosso planeta, como a briga israelenses vs. palestinos ou outros confrontos raciais. étnicos ou similares. Boa leitura para uma hora livre, mas nada clássico ou realmente surpreendente.

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@ 23:06

Por R. Crumb (aproveitando trechos de entrevista de Dick para Gregg Rickman)
9 páginas, Fragments West/The Valentine Press

Dick foi um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. Suas obras geraram adaptações cinematográficas clássicas, rentáveis e famosíssimas, como Blade Runner, Total Recall, Minority Report e A Scanner Darkly. E deve ter mais por vir.

Além de escritor de FC, Dick também era um sujeito considerado muito doido. Um dia, sofrendo de terríveis dores na boca devido a um dente do siso arrancado, ele pede para entregarem em casa remédios para a dor. Ao ver um reflexo do sol no pingente da entregadora - um peixe dourado de perfil - ele alucina que está na Palestina antiga e é um cristão perseguido pelo Império Romano.

A visão dura apenas um momento, mas retorna ainda mais forte um mês depois. Dick sente como se houvesse uma outra consciência em sua mente, uma outra pessoa que o faz agir corretamente, "arrumando" literalmente sua vida - ele começa a ganhar muito dinheiro; descobre, por indicação da tal consciência, que seu filho tem uma hérnia e consegue tratá-lo a tempo; além de conseguir falar grego, hebraico e aramaico fluentemente.

Toda essa experiência é relatada por Dick em diversos textos e em uma entrevista concedida a Gregg Rickman, em 1981, cujos diálogos são extensamente utilizados nos quadrinhos. A arte de Crumb intensifica a sensação surreal da leitura, especialmente nos trechos em que Dick descreve como tudo continuou normal na vida dele, embora a consciência sempre estivesse ali, controlando-o, enquanto ele é apenas um espectador.

Dick passa anos com essa consciência que, depois, ele acredita ser Elias ou o próprio Deus. A crença dele nisso é tão poderosa que ele tenta se matar quando o espírito finalmente o abandona. Esse período de Dick, por assim dizer, influenciou fortemente suas obras, que passaram a ter um componente místico até então apenas sugerido, se tanto. A HQ é quase uma biografia super-resumida de Dick, do momento em que ele é tomado pelo espírito até sua morte. Uma leitura inquietante, valorizada pela arte de Crumb, altamente recomendada.

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@ 22:22

Por Mike W. Barr (texto) e Jerry Bingham (arte)
100 páginas, Editora DC Comics

História e arte medianas, que apresentam o lado detetive de Batman misturado a um lado humano pouco comum no cavaleiro das trevas. A premissa básica é o aparecimento (ou retorno?) de um terrorista - Qayin - e sua briga pessoal com um velho inimigo de Batman, Rã's Al Ghül. Para temperar a história, Batman só toma conhecimento de tudo isso ao ser salvo por uma aliada e ex-amante, Tália, filha de Rã's.

A história evolui da investigação de Batman - ajudado pelo comissário Gordon, coadjuvante na trama - para identificar os terroristas e tentar acabar com seu plano, que envolve controle do clima e chantagem. Na busca desse objetivo, Batman vê-se temporariamente aliado de Rã's, enquanto um envolvimento - que os autores gostariam que fosse romântico, mas torna-se apenas sexual - desenvolve-se com Tália.

A história força na direção que os autores queriam, sem um desenvolvimento decente dos personagens ou mesmo dos acontecimentos, que se atropelam a fim de cumprir a limitação de 100 páginas. Há um final razoavelmente surpreendente, com uma ponta solta para futuras histórias ou, pior, para futuras lambanças da DC Comics com seus personagens. Enfim, mediano.

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