Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2008
Arquivos (mês.ano)

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Lendo
Na fila de leitura
Acompanho

Por: Max Mallmann
Editora: Rocco, 2003, 1ª edição
224 páginas

Nada melhor para iniciar uma nova fase - com um novo layout aqui no Leituras - do que com a resenha de uma obra excelente: "Zigurate" é o quarto livro de Max Mallmann - ainda não tive a oportunidade de ler os outros, porém isso não deve demorar agora que li este. Um nome conhecido dentro e fora dos meios de ficção científica nacionais, Mallmann é roteirista da TV Globo e um dos grandes talentos consolidados do país, com projeção internacional, inclusive.

Para escrever este livro ele mergulhou no mito de Gilgamesh - a ponto de estudar o idioma e dos capítulos abrirem com caracteres cuneiformes sumérios - entrelaçando a história do mítico rei que buscava a imortalidade com o questionamento às origens do Cristianismo. Não pense, porém, que esse é um romance histórico. Na realidade, a história não poderia ser mais moderna.

Logo de cara somos confrontados com a "sentença de morte" da protagonista, uma balzaquiana francesa que, em conseqüência de genes ruins e dos coquetéis anti-AIDS que toma desde os 20 anos, sofre do coração. "Sofre" na realidade é um eufemismo: o infarto, segundo os médicos, é apenas uma questão de pouco tempo.

Sem amigos realmente íntimos e nem amores, distante de sua mãe, Sophie - nossa quase-morta - não vê outro consolo a não ser continuar vivendo e trabalhando em sua tese de doutorado: um estudo antropológico sobre como o velho testamento bíblico é, na realidade, uma compilação de mitos anteriores ao povo Hebreu.

É nesta pesquisa que Sophie se depara com uma evidência daquilo que ficará conhecido no livro como "Bíblia dos Áureos", uma versão adulterada que dá conta da criação do homem inicialmente a partir do ouro e não do barro, e de fato idêntico a Deus e imortal. Tendo - é claro - desafiado o Senhor, o primeiro homem e a primeira mulher são amaldiçoados a viverem eternamente, sem poderem ter filhos e sendo condenados ao esquecimento por parte dos "humanos de barro", que vivem tão pouco.

Parece incrível que, em um romance com pouco mais de 200 páginas, Paris, Edimburgo e Rio de Janeiro - com criminalidade e favela, inclusive, mas de forma interessante e original - possam coexistir com imortais de ouro, mitos Sumérios e uma francesa à beira da morte? Pois eu recomendo que você leia: o Mallmann atropela tudo e ainda adiciona marqueteiros norte-americanos e políticos brasileiros!

O ritmo do texto não é frenético, está mais para um passeio em uma estrada bem pavimentada, com um bom carro: não há solavancos, as coisas vão fluindo e os acontecimentos sucedem com inteligência e criatividade. Mesmo as reviravoltas e surpresas encaixam com perfeição na trama, que por vezes acelera, especialmente para o clímax ao final.

É uma pena que, nestes cinco anos, a história não tenha dado outros frutos - eu acho que caberiam tranqüilamente continuações ou histórias anteriores no mesmo "universo". No livro chegamos a saber o e-mail de um dos personagens e somos incentivados a escrever para ele na "orelha", mas o endereço já não pertence ao autor e as iniciativas de blogs de personagens não são atualizadas desde 2004.

A edição da Rocco é ótima, bastante durável e com uma capa, cores e diagramação atrativas. Porém, quando recebi o livro fiquei surpreso com a capa: não parecia algo de FC. Confesso que, se visse exposto numa livraria, sem saber quem é o Max e o que ele escreve, nem pegaria na mão para ler a sinopse. Mas, isso sou eu, nerd e fã de fc e fantasia. Eventualmente, pode ser que o livro tenha boa saída com o público "leigo" justamente por esses atributos que, para mim, são defeitos.

Portanto, não se deixe enganar pela capa e nem pelo "rótulo" de roteirista da Globo, que pode soar mal aos ouvidos mais, errr, "literatos". "Zigurate" é literatura de qualidade e o Max não foi finalista do Jabuti - com Síndrome de Quimera - à toa. Atualização: o parágrafo anterior foi mal-escrito por mim e dá a impressão que a capa é de má-qualidade; ela não é. Veja meu comentário abaixo, em resposta ao do Fábio Fernandes.

Cabe ainda uma nota final: o livro está em adaptação para o cinema! Segundo o IMDB, a estréia deve ser em 2009 e ele está em pré-produção... e eu mal posso esperar :)

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@ 3.8.08 12:30

Veja Também:
Resenha do Romeu Martins no Overmundo
Por: Flávio Medeiros Jr.
Editora: Monções, 2004, 1ª edição
232 páginas

Elogiado primeiro romance do autor, "Quintessência" faz por merecer seus fãs: é uma estréia e tanto, misturando ficção científica, investigação e suspense.

A história situa-se em Minas Gerais - e esta já é uma boa surpresa -, em algum momento após a primeira metade do século XXI, sendo que a data nunca é precisada. De cara somos apresentados a um crime horrendo, aparentemente um atentado terrorista, que termina com seu autor suicidando-se usando uma "Sacred Fire" (ou "Fogo Sagrado"), um tipo de bomba que acaba com tudo o que toca em nível molecular - isto é, o autor do atentado não pode ser identificado, pois nada sobra dele para isso.

Designado para o caso, o oficial Tom Rizzatti fica assustado: ele já viu algo muito parecido, 5 anos atrás... Deste momento em diante temos uma corrida contra o tempo, conforme novas mortes acontecem e a polícia - em última instância, Rizzatti - encontra-se pressionada para resolver o caso.

Mas não pense que o livro é um page turner, no sentido de ser um daqueles livros que você vai pulando palavras e fazendo leitura dinâmica para chegar logo ao final, de tão empolgante. Ele é empolgante, mas a história tem pausas estratégicas, onde o autor inseriu reflexões de seu protagonista (creio que espelhando idéias do próprio autor) sobre a tecnologia, a sociedade e as motivações das pessoas.

Servindo tanto para pausar o ritmo - que poderia ser alucinante - como para acrescentar psicologia e profundidade na obra - que poderia ser rasa -, os pensamentos de Rizzatti fornecem pistas sobre a evolução do mundo e do Brasil nesses mais de 50 anos no futuro, com as implicações morais e éticas decorrentes da tecnologia cada dia mais avançada.

Os personagens não são "super-reais" - exceto pelo protagonista e alguns outros personagens importantes, mas isso não é um problema de forma alguma. As referências à literatura policial noir, aos quadrinhos e à cultura estadunidense são claras, prazerosas e não comprometem a leitura para os leigos nos assuntos - não são crípticas, sendo que muitas são explicadas pelo próprio protagonista, sob a forma de piadas.

Aliás, essa é outra excelente parte do romance, que balanceia o conflito entre a tensão e a profundidade com um humor aliviante, inteligente e não repetitivo. A própria situação-chave do romance, quando começa a se resolver, é cômica - embora trágica. E nisso o romance aproxima-se ainda mais de fatos reais, a despeito de toda a super-tecnologia existente e do distanciamento temporal da história.

Algo que também me atraiu foi o modo como o Flávio consegue projetar discussões atuais para esse seu futuro - só tomando um exemplo, o Brasil tem a Polícia Unificada, isto é, a Civil e Militar de hoje como uma polícia só, mas com dois gabinetes de comando, o civil e o militar. Ou seja, a mesma zona sob um nome só - bem típico do Brasil, bastante realista e ainda assim inovador.

Alguns amigos meus citaram que o livro pede uma seqüência. Eu não acho, mas não reclamaria nada de ler contos ou novelas das "Aventuras de Tom Rizzatti" ou algo assim - mas aí é o fã de histórias policiais/detetivescas, e de ficção científica, falando.

No saldo geral, um excelente livro, um dos melhores dessa "nova geração" de autores nacionais que agora começam a ganhar espaço no "fandom" - e nas livrarias, espero eu. Não consegui encontrar o "Quintessência" para vender on-line, minha edição - com uma simpática dedicatória - foi comprada diretamente do autor na Fantasticon 2008. O e-mail para contato é: livro.quintessencia@terra.com.br. Entre em contato com ele, garanta sua cópia e divirta-se!

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Por: Cristina Lasaitis
Editora: Tarja Editorial, 2008, 1ª edição
176 páginas

Às vezes, fico pensando nas pessoas que resenharam Asimov, Clarke, etc em seu começo de carreira. Era evidente que eles teriam a popularidade e o reconhecimento que tiveram? Soube a crítica, os resenhistas de então, captar isso?

Eu tenho a sensação de que, sendo consistente o crescimento atual da Ficção Científica e da Fantasia nacionais, a Cristina com certeza terá um lugar entre os melhores escritores daqui. E resenhar o primeiro livro dela é uma responsabilidade e uma aposta.

Prematuro? Não creio. Embora tenha começado a escrever recentemente - desde 2004 - a Cristina vem consistentemente emplacando contos em concursos e coletâneas, desde a polêmica "FC do B - Panorama 2006/2007" até a "Visões de São Paulo". Ter um prefácio de Fábio Fernandes em seu livro de estréia não é para qualquer um, com certeza, então creio sim que é uma aposta, mas mais devido ao risco - ou o potencial - de um mercado como o nacional para absorver e realmente recompensar uma escritora como ela.

"Fábulas" é uma coletânea de contos, primariamente de ficção científica, mas com a fantasia aparecendo aqui e ali. É uma bem construída, inteligente e prazerosa colcha de retalhos. Alguns contos interligam-se e, ao final da leitura, a sensação é de que tudo faz parte de um mesmo "multi-verso", onde personagens tão díspares quanto um Inca medroso e sedento de poder, uma cientista inteligentíssima e otimista e um anjo "caído" podem fazer parte do mesmo universo - mas não do mesmo tempo.

Durante todo o livro fica-se com a sensação de que cada conto é apenas um ensaio, uma pequena introdução a algo maior. Como se ela estivesse apresentando pequenas histórias, para nos acostumar com seus personagens, seus cenários... e depois virem os romances desenvolvendo melhor o povo que vive no deserto, tendo que "ressuscitar" o conhecimento perdido da humanidade em velhos computadores ou as aventuras da cientista que ousou tentar matar o tempo - a Susan Calvin da Cristina.

Alguns contos já eram conhecidos do site Nova Visões ou mesmo da coletânea FC do B, e aparecem com algumas modificações aqui. Não é algo ruim - ao contrário, para entender essa "colcha de retalhos" é preciso ler tudo do começo ao fim, identificando aqui e ali onde ela mudou os textos e os interligou.

Não cabe aqui - tanto para não estragar a surpresa do leitor como por não ser o meu objetivo - mapear essas interligações, mas é algo que vai dando prazer de acompanhar conforme o livro se desenvolve. Claro que, como qualquer coletânea, existem contos mais fracos e outros excelentes. Em minha opinião, por exemplo, "Meia-noite", o décimo-segundo conto, que fecha o livro, é um dos melhores textos que já li na minha vida. Mas isso pode ter a ver com a Cristina falar diretamente ao meu "universo" aqui, com personagens que adoram estar on-line, "hackeando" e brincando com os códigos que formam os programas, a rede e os web-sites - e, neste caso, as realidades virtuais também.

Já o conto "Caçadores de Anjos", embora interessante, não captou tanto minha atenção, bem como "Irmãos Siameses". Eles não são ruins, que fique claro - apenas não alcançaram a expectativa que eu tinha antes de ler.

Há em todo o livro, como pode parecer óbvio, o questionamento do tempo, das marcas de sua passagem e de quanto realmente entendemos dele - cientificamente falando - e quanto o sentimos. E talvez essa seja uma chave para entender o sucesso da Cristina - embora meticulosa com os detalhes, com a pesquisa, seus contos não estão focados na ciência, nos mecanismos fantásticos e nem em questionamentos polêmicos. O foco é nas pessoas, em como elas vivem, sentem e reagem ao tempo, aos acontecimentos - frutos do acaso? Ou de um destino?

Algo que inicialmente me decepcionou foi o modo com o a Cristina, em basicamente todos os contos, dá por certo a existência do "Destino". Em "A Outra Metade", por exemplo, têm-se a sensação de uma entrega absurda a um destino sem divindades, sem justiça ou compensação, mas ainda assim pré-definido. Porém, com o correr do livro, vemos que não é bem assim e que há espaço para o livre-arbítrio nesses mundos, mesmo que ele jogue uma parte pequena da história e tenha aparência de ser mais esperança, ilusão dos personagens do que algo real. Bom esclarecer, esta é uma "decepção filosófica pessoal", pois a autora tem todo o direito de posicionar-se como quiser em relação aos seus temas.

Um ponto a criticar é o acabamento do livro, que não é muito durável. Pelo preço de venda da Tarja - R$ 23,00 ou 25, dependendo de onde você comprar - eu esperava um "pocket" melhor acabado ou um livro de "porte normal" com o acabamento que o "pocket" teve. Embora o formato seja um acerto por ser fácil de levar no metrô, ônibus e outros lugares, o acabamento é ruim: minha edição, comprada há apenas um mês e lida por apenas duas pessoas, já está bem desgastada, especialmente a capa. O valor do livro, portanto, deveria ser menor ou o acabamento melhor, creio eu.

Se você leu esta resenha até aqui, deve ter notado que o livro me empolgou. A capacidade da Cristina de falar diretamente no imaginário, de criar descrições interessantes e ao mesmo tempo sem preciosismos desnecessários e de absorver os dramas humanos, tornando seus personagens reais, próximos, é viciante. Recomendadíssimo!

Atualização:
Faltou dizer que, para comprar o "Fábulas", o melhor caminho é acessar:
http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/07/17/como-adquirir-o-fabulas/

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@ 9.7.08 20:40

Veja também:
Parte 2

Parte 3

"PS"
Para aqueles que não sabem, a FANTASTICON é um evento sobre literatura fantástica, isto é, ficção científica, fantasia, horror e terror, além de uma série de "sub-gêneros" dentro destes.

A edição deste ano teve lugar no Colégio Marista Arquidiocesano em São Paulo (capital) nos dias 5 e 6 de julho, junto ao XVI Encontro Internacional de RPG, com palestras, vídeos, mesas de bate-papo, lançamentos de livros e revistas, entre outros.

Um resumo

Daquilo que participei, só posso dizer que o evento foi excelente. Participação, temas, palestrantes/debatedores, tudo ótimo. A reclamar apenas o excesso de eventos paralelos interessantes (ok, isso não é algo realmente a reclamar) e a "invisibilidade" da FANTASTICON dentro do evento de RPG - conseguiram colocar as salas em um local ainda mais isolado do que na edição anterior.

Fui para a FANTASTICON querendo participar, essencialmente, de três palestras: a de Octavio Aragão no sábado (que foi excelente), a de Braulio Tavares (que perdi) e a mesa-redonda sobre novos rumos da FC (excelente), ambas no domingo.

Maiores detalhes

O evento começou "realmente" para mim na sexta-feira de tarde, em um almoço com meu amigo Ivo Heinz, que é um grande conhecedor de FC e sempre me apresenta para livros e autores interessantes. À noite, ainda na sexta, fui até o lançamento de "Fábulas do Tempo e da Eternidade", da minha amiga Cristina Lasaitis - já estou na metade do livro e gostando muito, em breve sairá uma resenha por aqui.

No sábado, ainda sentindo efeitos do "buslag" (viagem de 11h de Balneário Camboriú até SP, sem dormir), cheguei por volta do meio-dia no EIRPG. Porém e a FANTASTICON? Foi difícil encontrar o evento: placas indicavam a direção, mas de repente elas sumiam e eu ficava "?!?"

Rodei o pátio, subi até onde havia sido o evento no ano anterior, procurei meus amigos, nada. Só quando encontrei a já mencionada Cris, próximo à área de estandes do EIRPG é que consegui entender como fazer para chegar até a FANTASTICON. Infelizmente, parece que a "invisibilidade", tão recorrente quando se fala de FC e afins, atacou novamente.

Uma vez no lugar certo, embarquei no finalzinho da palestra "O Vampiro Antes de Drácula", da Martha Argel e Humberto Moura Neto, que estava divertida e informativa, apesar de um sujeito irritante na primeira fileira ficar interrompendo o tempo todo. A palestra seguinte seria naquela mesma sala, com Octavio Aragão...

Na próxima parte, a ser publicada amanhã, falarei sobre a palestra de Octavio Aragão. Na terceira e última parte, a ser publicada na sexta-feira, a mesa sobre novos rumos da FC com Fábio Fernandes, Guilherme Kujawski, Jacques Barcia e Sérgio Kulpas. Até lá!

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@ 13.2.08 07:15

A partir de:
www.lulu.com
"Antologia da nova literatura fantástica em língua portuguesa"
Por: diversos autores (João Ventura, Wolmyr Alcantara, Yves Robert, Octavio Aragão, Jorge Candeias, Gabriel Boz, Telmo Marçal, Carlos Orsi, João Ventura, Carlos Patati, Sofia Vilarigues, Maria Helena Bandeira, António Candeias e Carla Cristina Pereira)
Edição: Luís Filipe Silva
Organização e seleção: Jorge Candeias e Luís Filipe Silva
Impressão: Lulu
262 páginas (255 desconsiderando a introdução)

Acabamento: ótimo em princípio, um pouco menos durável (especialmente a capa) do que eu esperava (pelo preço). A ilustração da capa é fantástica, embora o título do livro fique um pouco "escondido". A impressão (via Lulu, uma gráfica sob demanda) deixa a desejar na capa e contra-capa (imagens "pixelizadas", por exemplo) mas compensa inteiramente no miolo, com um papel e impressão de qualidade.

Impressão geral: boa compra, a antologia reúne alguns contos muito bons, outros medianos e alguns ruins - como toda coletânea. Talvez fosse de esperar mais de uma "Antologia", ainda mais editada pelo Luís Filipe e pelo Candeias, já há muito conhecidos pela qualidade e perfeccionismo em seus empreendimentos. Não é algo que decepciona, mas preço vs. acabamento vs. conteúdo acaba fechando em uma conta não completamente positiva.

Vou analisar aqui o livro em termos gerais - com o tempo, disponibilizarei uma resenha para cada conto, com a exceção apenas do conto de Octavio Aragão, "Para tudo se acabar na quarta-feira", que será alvo de resenha em outra análise futura, acerca da Intempol (universo onde o conto se encaixa).

A introdução do Luís Filipe é um bom começo para o livro. Com um apanhado geral e resumido do cenário de literatura fantástica, mostrando que as dificuldades para publicar no gênero existem aqui e lá e apresentando o que é o projeto, de seu princípio, onde nota-se especialmente uma certa melancolia e negativismo na atitude portuguesa - que aliás espalha-se em fóruns e listas de discussão, bem menos ativas que as brasileiras.

O livro alterna contos de brasileiros com portugueses, criando um efeito inusitado e um tanto complicador para a leitura contínua. Por mais que seja interessante ler os contos em sua grafia original, isso acaba deixando a leitura um pouco mais pesada do que deveria ser, dadas as diferenças gramaticais - como bem lembra o editor na introdução.

O veredicto final da coletânea é positivo, embora o preço cobrado pela Lulu (incluindo o frete) seja um tanto caro, pensando no conjunto e na alternância de qualidade entre os contos, conforme já citei. Não diria que é um livro essencial para qualquer leitor, mas o fã de fantasia e ficção-científica pode comprar sem medo: é uma boa aquisição.

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@ 27.8.07 02:09

A partir de:
pt.wikipedia.org

Mais Dalton:
Dalton no Google

Dalton no Bondfaro

111 Ais, da L&PM
Não, não é uma resenha, é apenas um meme enviado pela minha amiga Daniela Stefano. A idéia é buscar a pessoa mais famosa com seu sobrenome na internet e escrever sobre ela.

Recuso-me a procurar, para mim, o mais famoso é sem dúvida o Dalton, um dos maiores contistas brasileiros (senão da língua portuguesa) de todos os tempos. A obra de Dalton é vasta e sua lendária aversão a fama e a imprensa fazem dele uma figura controversa.

Dalton é um dos poucos contistas brasileiros que conseguem escrever um conto com apenas algumas palavras - como em "O amor é como uma corruíra no jardim - de repente ela canta e muda toda a paisagem.". Sua habilidade é elogiada e reconhecida, embora Dalton continue um desconhecido do "povão", devido sem dúvida a qualidade hermética de alguns de seus contos, provocada pela concisão e objetividade de suas frases.

Aliás, tenho certeza que Dalton não aprovaria nada do que eu escrevo :)

Além do link acima, vou deixar algumas recomendações, na coluna lateral. E não vou passar o meme adiante, por que eu sou um chato que não gosta dessas modinhas da internet e só escrevi esse pois era uma boa desculpa para falar do Dalton sem ser resenhando algo dele.

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@ 11.7.07 18:35

Por: Ferréz (texto) e Alexandre De Mayo (arte)
50 páginas (aprox), Editora Pixel Media

Aposta em quadrinhos nacionais da Pixel Media - a primeira, até onde sei - Ferréz fez fama com seu livro "Capão Pecado" e sua coluna na "Caros Amigos". Já De Mayo é mais conhecido por seu trabalho junto ao mundo do Rap.

O resultado é uma ótima HQ, com leitura muito boa e uma arte que - embora não seja genial e abuse de recursos de colorização computadorizada - é competente. Na história, acompanhamos como a vida daqueles que entram no crime se repete, a partir de dois personagens centrais: Igordão e Pipo.

Claro que há o habitual "playboyzinho, vai se fudê", "a vida na periferia é quente", etc. Os clichês sobre a favela e a atitude "rebelde" perante a sociedade que marginaliza também estão ali. Mas a história nem por isso perde o apelo. As imagens da favela são bastante realistas e o drama dos dois personagens em destaque é sincero e crível.

O único porém - apesar da qualidade gráfica da edição - é o preço, que está um pouco além do que deveria estar. É uma Graphic Novel boa para todos os que quiserem variar das histórias de heróis/fc/fantasia/horror que existem no mercado. Mas eu não consegui deixar de sentir um cheiro de potencial mal aproveitado...

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@ 18.6.07 00:11

Veja Também:
Scarium
Por diversos autores
70 páginas, Scarium

Uma das mais bem-sucedidas revistas de Ficção Científica & Fantasia nacionais, com mais de 5 anos de estrada, tem nessa edição comemorativa de aniversário um de seus pontos altos.

Além dos contos excelentes - incluindo uma nova tradução de Poe pelo editor, Gabriel Boz - a revista foi responsável por acender uma enorme celeuma no "gueto" da FC nacional, com o artigo bombástico de Alexander Lancaster e Ana Cristina Rodrigues.

Os adjetivos acima não são exageros - ao menos se considerarmos as reações ao artigo. Vi e ouvi, ao vivo e a cores, a revolta, mágoa e indignação de muitos que levantaram vozes - e digitaram furiosamente ao teclado - contra o texto.

Polêmicas à parte - abordarei isso de outra forma, em outro espaço - a revista firma-se como uma referência de FC&F no país, capaz de mexer com o gueto de fãs e esgotar uma edição, feito que não é para qualquer revista.

Não recomendo apenas a Scarium 19, mas sim a assinatura completa da revista. Não é muito dinheiro pelo retorno em diversão, conhecimento e - até - polêmica!

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@ 17.6.07 21:54

Por Ricardo Semler
237 páginas, Editora Rocco

A experiência desgastante de assumir a empresa da família (no caso dele, do pai) e modernizá-la: na ausência de modelos nacionais de administração, Semler faz uma "salada" de técnicas, se desgasta e resolve mudar de vida.

Ou virar a mesa, daí o título do livro. Ele conta inicialmente a vida de jovem workaholic, da aceitação em Harvard - desconfio que, apesar do humor que envolve todo o livro, ele colocou isso lá justamente para os incrédulos pensarem "mas caramba, o cara freqüentou Harvard!". Da profissionalização da Semco, passando pela transmissão do controle acionário para as mãos dele e desembocando na constituição de uma empresa literalmente revolucionária, o livro é uma aula de profissionalismo, busca da verdadeira qualidade e de ética, especialmente.

As referências de Semler não são poucas e o fato do nome dele ser pouco conhecido do grande público brasileiro é sintoma da miopia das elites empresariais do país, historicamente autoritárias e avessas a mudanças, em especial no que concerne a como tratar funcionários e parceiros.

Apontado como um dos jovens líderes mundiais, Semler conta as mudanças e aquisições que levaram a Semco à liderança dos setores em que atua - ou vice-liderança, eles não aceitam menos que isso. Impressionam, no livro, as descrições de como tratar as greves, de como tratar os funcionários (ou melhor, as pessoas) e de como abolir organogramas e hierarquizações em prol de uma empresa mais humana e um ambiente melhor para se trabalhar - e assim, claro, mais lucrativo também.

Impressiona também, para quem já leu "papas" da administração como Kotler, Peters e outros, a humildade com que Semler fala de suas experiências. O livro é quase uma conversa de boteco - sem perder a seriedade - e ao mesmo tempo declara-se abertamente como uma abertura para diálogo. É lógico que em diversos pontos ele mostra a Semco como o exemplo de que o que ele diz dá certo, mas ele admite que nem tudo o que está ali foi implantado e que existem vários graus de modificações culturais espalhados nas várias empresas do grupo.

O fim do paternalismo, a busca de um ambiente de trabalho saudável, confiável e instigante fazem de "Virando a própria mesa" um tremendo inspirador, uma obra que empolga e influencia seu pensamento mesmo sem você se dar conta disso.

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@ 20:43

Por Angeli, Glauco e Laerte (com participação "especial" do Adão Iturrusgarai)
80 páginas, 1994, Editora Ensaio

Caçar miguelitos, brigar com os "Hell's Angels de Acapulco" e tentar arrumar mulheres são apenas algumas das enrascadas em que os 3 amigos se metem. Coletânea de tirinhas publicadas no jornal Folha de São Paulo, entre 1991-92, com adição de "tirinhas de rodapé" especiais para esta edição, o trio arrasa no humor negro, escrachado e politicamente incorreto que marcou época. Vale a compra!

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