Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
2007-2010
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Em Leituras
@ 27.6.07 22:35

Tenho um arquivo aqui com algumas citações interessantes de leituras antigas, resolvi publicar para "me livrar" dele. Duas são de "Paraísos Artificiais", fantástico livro de Charles Baudelaire, em português.

Outras duas vêm da Paris Review "The Art Of Fiction", nº 36, que contém uma entrevista concedida por William S. Burroughs. Por fim, há uma citação de um blog, todas essas três em inglês.

"'(...)E tu', dirigindo-se para a Mater Tenebrarum¹, 'recebe-o dela por tua vez. Faze que o teu cetro seja pesado sobre a sua cabeça. Não consintas que uma mulher, com a sua ternura, venha sentar-se junto dele na sua noite. Expulsa todas as fraquezas da esperança, seca os bálsamos do amor, queima a fonte das lágrimas; amaldiçoa-o como só tu sabes amaldiçoar. Assim será tornado perfeito na fornalha; assim verá as coisas que não deveriam ser vistas, os espetáculos abomináveis e os segredos que são indizíveis. Assim lerá as terríveis verdades, as tristes verdades, as grandes, terríveis verdades. Assim ressuscitará antes de ser morto. E a nossa missão que recebemos de Deus será cumprida, e que é atormentar o seu coração até que tenhamos desenvolvido as faculdades do seu espírito.'(...)"
¹ "Nossa Senhora das Trevas", em um mix delicioso de paganismo e catolicismo.
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 145]

"(...)Profundas alegrias do vinho, quem vos não conheceu?(...) Como são grandes os espetáculos do vinho, iluminados pelo sol interior! Como é verdadeira e ardente esta segunda juventude que o homem vai buscar dentro de si! Mas quão temíveis são também as suas volúpias fulminantes e os seus feitiços enervantes!(...)"
- Charles Baudelaire [Os Paraísos Artificiais, pág. 166]



"(...)I think it`s the evolutionary trend. I think that words are an around-the-world, oxcart way of doing things, awkward instruments, and they will be laid aside eventually, probably sooner than we think. This is something that will happen in the space age. Most serious writers refuse to make themselves available to the things that technology is doing. I`ve never been able to understand this sort of fear. Many of them are afraid of tape recorders and the idea of using any mechanical means for literaly purposes seems to them some sort of sacrilege. This is one objection to the cut-ups. There`s been a lot of that, a sort of a superstitious reverence for the word. My God, they say, you can`t cut up these words. Why can`t I? I find it much easier to get interest in the cut-ups from people who are not writers - doctors, lawyers, or engineers, any open-minded, fairly intelligent person - than from those who are.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 12]

"(...)Most people don't see what's going on around them. That's my principal message to writers: for God's sake, keep you eyes open. Notice what's going on around you.(...)"
- William S. Burroughs [The Art of Fiction, no. 36, page 15]

O PDF da entrevista completa pode ser encontrado no site da Paris Review.



"(...)they advise people to have 'strong opinions, which are weakly held.' They've been giving this advice for years, and I understand that it was first developed by Institute Director Paul Saffo. Bob explained that weak opinions are problematic because people aren?t inspired to develop the best arguments possible for them, or to put forth the energy required to test them. Bob explained that it was just as important, however, to not be too attached to what you believe because, otherwise, it undermines your ability to 'see' and 'hear' evidence that clashes with your opinions. This is what psychologists sometimes call the problem of 'confirmation bias.'(...)"
Bob Sutton's Work Matters Blog [lido em 6/1/07]

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Em Leituras
@ 19.6.07 23:04

por Virginia Woolf, tradução de Cecília Meireles

Woolf foi realmente uma grande escritora - tendo Cecília Meireles como tradutora, tudo fica ainda melhor. O livro vem em um crescendo, utilizando cada página e cada fase do personagem como marcadores e indicadores de para onde o livro caminha.

Há algum exagero em algumas partes, um excesso de lirismo, talvez, mas até o momento a leitura não é pesada, nem deixa de ser instigante saber para onde é que vai o tal Orlando em suas desventuras.

O livro tem um pé na literatura fantástica (ou de fantasia) e outro na psicologia de seus personagens - não me admira que ela fosse leitora voraz dos russos. Todos os personagens estão nús: sob a lente de Virginia, ninguém tem segredos ou, antes, apenas os segredos que ela mesma não quer revelar, que deixa acontecer conforme o momento.

Por fim, algumas frases/passagens excelentes, que eu gostaria de marcar para relembrar:

"(...)A quem havia amado, que havia amado até ali? perguntava a si mesmo, num tumulto de emoção. E respondia: uma velha, que era só pele e ossos. Inúmeras rameiras de faces pintadas. Uma gemedora monja. Uma aventureira implacável, de lábios cruéis. Uma sonolenta massa de renda e etiqueta. O amor não tinha sido para ele mais do que serradura e cinzas. AS alegrias que lhe havia oferecido eram extremamente insípidas. Espantava-se de o ter podido suportar sem bocejos.(...)"
Pág. 22

"(...)Aqui viveram, por mais séculos do que posso contar, as obscuras gerações da minha própria obscura família. Nenhum desses Ricardos, Joões, Anas, Elisabetes, deixou atrás de si um testemunho individual, embora todos, trabalhando juntos, com suas pás e suas agulhas, seus amores e suas maternidades, tenham deixado isto.(...)"
Pág. 58

"(...)Qual o êxtase maior? O da mulher, ou o do homem? Não serão talvez o mesmo? Não, pensava, este é o mais delicioso (agradecendo ao capitão e recusando); recusar e vê-lo entristecer. Bem, aceitaria, se ele o desejava, um pedacinho pequenino, o menorzinho possível. Isto era a coisa mais deliciosa: ceder e vê-lo sorrir. 'Pois nada', pensava, voltando ao seu lugar no convés, e prosseguindo seu raciocínio, ' é mais divino do que resistir e ceder, ceder e resistir'(...)"
Pág. 86

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