Fernando S. Trevisan - Leituras


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Fernando S. Trevisan
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Nesta terça-feira, 2 de junho, a escritora Giulia Moon convocou uma reunião de lançamento do número 25 do fanzine Scarium. Além de coordenar a edição, Giulia colabora com uma história em quadrinhos - sua primeira. A capa, de Alexandre Lancaster, é ótima e o conteúdo, com contos de Cristina Lasaitis, Marcelo Galvão, Martha Argel, Ana Cristina Rodrigues e outros, parece interessante. A edição tem como tema "Mulheres" e houve a habitual liberdade criativa aos colaboradores - com a condição de que houvesse elementos de horror na narrativa. Você pode comprar a Scarium 25 na loja virtual deles (link acima).

O lançamento foi divertido tanto por encontrar os amigos Galvão (e Daniela), Cristina Lasaitis, Richard Diegues (também colaborador desta edição da Scarium), Eric Novello e, claro, a Giulia. Causo também estava lá e tive o prazer de conhecer Nilza Amaral, mais uma das colaboradoras. O frio e provavelmente o dia da semana espantaram mais participantes, mas o evento valeu assim mesmo. A Giulia fez um post sobre o evento e publicou fotos no Flickr.

Você pode pegar o release com mais detalhes aqui. Assim que possível, devo resenhar essa edição (assim como as anteriores).

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Por: Carlos Orsi
Editora: Novo Século, 2005, 1ª Edição
157 páginas

A ficção científica brasileira "é invisível", dizem por aí. Nem marginal, pois que não é considerada. O que dizer, então, de um autor que se arrisca a produzir ficção científica e terror? Ingênuo?

Carlos Orsi é ousado, isso sim. Reconhecido internacionalmente, com três livros publicados e contos em diversos idiomas. Conhecido aqui por seus contos de terror inspirados em H. P. Lovecraft, o escritor mostra em "Tempos de Fúria" que seu trabalho está muito além disso.

Já no conto de abertura, "15 minutos", Orsi mostra a que veio. "Fim de tarde num boteco de chão de terra batida, a meio caminho do alto do morro." Hein? Boteco, morro? Como isso pode dar uma história e tanto de ficção científica?

Apenas um exemplo da mistura de Brasil puro com FC da melhor qualidade que poucos escritores podem oferecer. O poder de alterar a realidade como se faz na edição de um filme, quadro a quadro, é a base para uma trama que envolve roubo, traição, traficantes, pagode e popuzadas.

Dando mostras do "poder de fogo" - ou da fúria - que o livro oferece, segue a leitura com "Questão de Sobrevivência", conto mais longo que o anterior e que apresenta a guerra urbana que toma São Paulo e o Brasil em 2020. Na cidade devastada, grupos lutam por interesses econômicos escusos, usando a população como massa de manobra. Ao mesmo tempo um ataque a ideologias atuais com um vislumbre de algo que pode vir a ser real.


A seqüência, "Pressão Fatal", apresenta uma investigação em pleno espaço que rende homenagem tanto ao clássico detetive de Conan Doyle quanto aos contos de Isaac Asimov, que tinham por solução a aplicação de lógica pura dentro de um contexto de tecnologia e informações computadorizadas, aliados à boa e velha inteligência humana.

"Planeta dos Mortos" é o melhor conto do livro, apresentando mistura perfeita de ficção científica e horror. Um soldado em sua primeira missão enfrenta a realidade mais terrível e inescapável que se pode imaginar. Orsi consegue renovar diversos "clichês" dos dois gêneros em um texto fluido, interessante e inteligente.

O penúltimo conto, "Desígnios da Noite", é um dos que menos gosto no livro. Não significa que é ruim - apenas o tema, o desenvolvimento não me agradaram tanto. Acordado de uma ressaca homérica - cujo motivo, claro, é uma mulher - um duelista profissional precisa agir como detetive e descobrir a pessoa por trás de um atentado de proporções "galáticas" que esconde algo ainda mais podre.

E o livro fecha com "A Aventura da Criança Perdida", um conto ótimo, mas que também não é dos meus preferidos. É como se depois de "Planeta dos Mortos", os contos perdessem um pouco de sua luz, ofuscados pela genialidade ali presente. Novamente, o leitor não entenda errado: é um ótimo conto.

"Tempos de Fúria" é um dos melhores livros da literatura fantástica nacional e leitura obrigatória aos fãs da ficção científica, do terror ou de ambos! E Orsi, tá na hora de lançar um romance ou uma coletânea mais gordinha, não tá não?

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